Há 10 anos com o título de pai, o empresário Eduardo Almeida é na verdade um paizão. É daqueles que está sempre presente e que chega a cancelar compromissos para estar com as filhas Beatriz, 10 anos, e Vanessa, 8. ''Na escola delas todo mundo me conhece porque nas apresentações sou o que mais grita e aplaude. E elas pagam mico'', sorri Almeida, que acredita não estar sozinho, apesar de ser o mais animado. ''Hoje a presença dos pais nos eventos escolares é maciça'', garante.
Para o empresário de 37 anos, ele faz parte de uma geração de pais mais participativa. ''Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, o pai precisou estar mais presente'', explica. Mas o homem, segundo Almeida, não é educado para ser pai. ''É uma questão de instinto, a mulher é a mantenedora e o homem, provedor'', completa. ''Mas a gente aprende errando'', avisa.
Com a gravidez conturbada da primogênita, o empresário sofreu muito com o medo da perda. Desenvolveu amor excessivo pelas filhas, que o fazia ir até a escola ver se elas estavam bem ou então ligar a todo momento. ''Mas fiz um tratamento homeopático e há três anos está tudo bem'', diz Almeida, que passou de pai enérgico a companheiro. ''A maturidade e a segurança trazem isso'', ensina.
''Hoje eu sou o que faz bagunça, que brinca, que deixa comprar o que elas quiserem. O pai é mais permissível'', conta o empresário que joga ''bets'' com Beatriz e Vanessa e não vê problemas em ir às compras com as meninas. Elas, é claro, adoram. Quanto ao fato de não ter tido um menino, Almeida não sente falta alguma. ''Antes havia a questão da perpetuação do patrimônio, as mulheres não trabalhavam e os pais queriam filhos homens, hoje não'', argumenta ao das herdeiras. (Karla Matida)

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