Gente nova no campo
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quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Celso Mattos 
Antes, quando se falava em esporte no Brasil, a única imagem que vinha à cabeça era a do futebol. O País do tri e do tetracampeonato mundial. Mas a partir do fiasco da Copa do Mundo da França, em 1998, e o crescente fracasso da Seleção Brasileira nos campos, os olhos dos brasileiros começaram a mirar em outras direções, principalmente para o tênis, devido ao sucesso de Guga. Esportes como vôlei, basquete, beisebol e, até o golfe, que é considerado um esporte de elite, começaram a ganhar novos adeptos.
Segundo Mauro Takeda, diretor do Londrina Golf Club, o número de campos de golfe no Brasil cresceu quase 70%. No início dos anos 90 existiam 60 campos, hoje totalizam 100. O crescimento do número de praticantes explica os investimentos no esporte: eram 6 mil golfistas no começo dos anos 90, saltando para 15 mil no ano 2000. O Londrina Golf Club tem, atualmente, 170 famílias associadas. Os diretores do clube apostam no crescimento do esporte na cidade e trabalham para que este número chegue a 300 ainda este ano.
Outro mito que ronda o golfe é que ele é um esporte praticado apenas por pessoas mais velhas. Puro engano. Nos últimos anos tem aumentado o número de jovens nos verdes campos do esporte. Segundo Rodolfo Fuganti, diretor juvenil do Londrina Golf Club, existem 21 jovens menores de 18 anos que fazem parte da equipe juvenil. ''Na equipe sênior, que inclui os maiores de 18, também existem muitos praticantes'', afirma.
Rodolfo Fuganti ressalta que o esporte permite uma interação muito grande entre jovens e pessoas da terceira idade. ''É comum ver um adolescente jogando com uma pessoa de 50 ou 60 anos. Isso é muito positivo'', considera. ''Sem falar que o esporte possibilita uma grande interação entre homem e natureza'', acrescenta. Outro aspecto interessante é a grande participação de mulheres no esporte, o que permite jogos entre famílias.
Pai e filha É o caso, por exemplo, da estudante Maíra Galindo, 17 anos. Ela está praticando golfe há dois anos. ''Geralmente, eu jogo com o meu pai e aproveitamos para bater papo, já que durante a semana quase não temos tempo de conversar porque ele trabalha e eu estudo. Como no golfe a gente precisa andar muito, é um momento que temos para ficarmos juntos'', comenta.
Maíra Galindo já participou do Aberto de Golfe de Londrina, ficando em 3º lugar na categoria feminina. ''Fui também para campeonatos em Curitiba e Joinville, mas apenas como espectadora'', informa. A estudante Flávia Erner, 13 anos, é outra que está praticando o esporte. ''Às vezes, eu jogo com minha irmã e também com minha mãe. É um jeito diferente de lazer nos finais de semana'', diz Flávia.
O universitário Tiago Ogawa, 18 anos, começou a jogar golfe aos 13 anos. ''Antes eu ia no clube todos os dias, mas depois que comecei a fazer a faculdade de Administração, só estou indo nos finais de semana'', conta Tiago, que divide com Rodolfo Fuganti, o cargo de diretor juvenil de golfe. Ele recorda que seu interesse pelo esporte começou quando ainda carregava o saco de tacos para o avô. De caddie (carregador de tacos), Tiago passou a jogador. ''Hoje jogo com meu avô, meu tio e também com meus amigos. O que eu mais gosto no esporte é o contato direto com a natureza'', destaca.
Com uma estante repleta de troféus, João Paulo Albuquerque, 14 anos, é o jogador juvenil mais premiado de Londrina. Já participou de campeonatos de golfe no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. ''Faz quatro anos que estou jogando, comecei porque meu pai também jogava'', informa João Paulo, acrescentando que treina três vezes por semana e espera um dia representar o Brasil no exterior.


