A brasileirissíma!
Além de ser o prato mais procurado nesta época do ano, a feijoada é um convite irresistível para esquecer qualquer regime
Celso Mattos

Arquivo/FLA feijoada faz parte da culinária nacional e surgiu durante a escravidãoA chegada do inverno é um terror para quem precisa perder alguns quilinhos. Afinal, o tempo chuvoso e frio, além de abrir o apetite, é um irresistível convite para esquecer qualquer regime. Para complicar ainda mais a vida dos gordinhos, os pratos mais consumidos nesta época do ano são altamente calóricos. E, o principal deles, a brasileirissíma feijoada, não foge à regra. Repleta de bacon, linguiça calabresa, costela e miúdos de porco, é deliciosa, mas engorda só de olhar.
A origem desse prato faz parte da culinária brasileira e surgiu na época da escravidão. Os negros que trabalhavam nas fazendas utilizavam as sobras do porco desprezadas pelos donos de engenho. Misturadas ao feijão, resultaram em uma comida de sabor apurado que acabou saindo da senzala e foi parar na mesa dos patrões. O que era um prato feito com restos, incorporou-se ao paladar dos brasileiros e, hoje, faz sucesso nos restaurantes mesmo tendo um preço, muitas vezes, superior aos pratos nobres.
Mas, antes de se esbaldar diante de uma porção de feijoada, é bom ouvir as recomendações da nutricionista Cristina Tomasetti, que também é professora de nutrição do Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon). ‘‘É um prato rico em calorias e lipídios. Como a gordura é de origem animal, é altamente prejudicial para quem tem problemas de colesterol’’. Cristina explica que para a feijoada ficar light, é preciso reduzir em 30% seu teor de gordura. No entanto, o prato perde suas características tradicionais porque a maioria dos ingredientes tem que ser eliminada’’.
Alternativas Para quem prefere preparar a feijoada em casa, a nutricionista recomenda retirar a gordura aparente das carnes. ‘‘É uma forma de reduzir um pouco as calorias, mas isso não significa que a feijoada vai ficar light. Outra opção é cozinhar as carnes em água ou leite e depois juntá-las ao feijão. Desta forma, um pouco da gordura fica na primeira fervura’’. Substituir a carne de porco pela carne bovina também ajuda a deixar a feijoada menos calórica. ‘‘Mesmo sendo magra, a carne suína possui o que chamamos de gordura marmorizada que não dá para ser retirada’’, explica Cristina Tomasetti. Mas a nutricionista ressalta que essas alternativas dão um resultado mínimo em termos de redução calórica.
Mesmo tomando todas essas providências, não se deve ir como muita sede ao pote. A nutricionista esclarece que não adianta diminuir o teor de gordura da feijoada e exagerar na hora de comê-la. ‘‘É um prato que deve ser consumido de vez em quando e de forma moderada’’. Chupar laranja com bagaço como sobremesa ajuda na digestão e na absorção da gordura pelo organismo, mas não reduz as calorias. ‘‘Existem pessoas que gostam de comer banana para acompanhar a feijoada, no entanto, é preciso saber que essa é uma fruta calórica, que engorda e, se for à milanesa, pior ainda’’, informa a nutricionista, ressaltando que ninguém precisa ficar sem saborear essa delícia da culinária brasileira. A dica é não exagerar. Afinal, é um prato altamente nutritivo.

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