Garotas sobre quatro rodinhas
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Karla Matida<br>Reportagem Local 
O asfalto com pouco desgaste nas pistas que dão acesso ao Jardim Botânico de Londrina é um convite tentador a quem pratica esporte, principalmente sobre duas ou quatro rodas. Bicicletas e skates convivem bem por ali e, de uns tempos para cá, ganharam a companhia dos longboards.
Para os leigos, à primeira vista parece mais um "skatão". Se por um lado o tamanho maior oferece mais estabilidade para quem anda, por outro lado ele limita as manobras, tão características do irmão menor. A publicitária Livia Pereira sempre circulou bem pelas turmas do skate, mas mais pela amizade do que pelo esporte em si, que nunca praticou com afinco.
"Fiquei fora de Londrina cinco anos, quando voltei tinha uma filha, que é minha grande companheira no longboard", explica Livia, que fundou um grupo fechado no Facebook com mais de 100 participantes, todas adeptas às quatro rodinhas. "Estamos criando uma rede, uma chama outra e assim vai", conta.
A arquiteta Ana Paula Brunetto faz parte do grupo, mas a sua adesão ao longboard teve mais influência da filha Sofia. "Sempre gostei de skate, mas não tinha coragem. Com o longboard tenho mais segurança", define. "E também foi um jeito de passar mais tempo com a Sofia", diz. "É um lazer e um prazer, mas não tanto com a frequência que a gente gostaria."
Às vésperas de completar 14 anos, Sofia Brunetto Tramonte já é uma veterana no skate, que ganhou do pai quando tinha apenas 3 anos. "Mas andar mesmo só quando tinha uns 7", lembra. Entre os amigos, viu surgir e sumir a onda das quatro rodinhas entre as meninas. "Era uma modinha e poucas continuaram", conta Sofia.
Outra que também ganhou o skate cedo foi a estudante de engenharia Barbara Damasio. "Não pedi nem nada, meu pai me deu, acho que eu tinha uns cinco anos", conta. Na mudança de Maringá para Londrina, onde faz faculdade, Barbara acabou deixando o skate de lado. "Mas voltei por incentivo do meu namorado, o Marcos Soninho, que é um ícone do skate", declara-se.
Na adolescência, Barbara chegou a participar de torneios mistos. "Não tinha menina suficiente para criarem uma categoria específica feminina", lembra. "É isso mesmo, quando participei de um campeonato eram só três meninas, mas pelo menos todas ganharam, ficando em primeiro, segundo e terceiro", diverte-se Sofia.
Para Ana Paula e Livia, a geração das filhas já começa a ver o skate de uma forma diferente, sem a questão do gênero fazendo a divisão. "É uma tendência", dizem. Mas por enquanto, o toque feminino ainda se faz presente, principalmente nos detalhes. "A gente não deixa de combinar a roupa com o tênis", ensina Ana Paula, que ainda lembra que os modelos do tipo botinha são mais indicados.
Na sessão de fotos para esta edição, o grupo fez apenas poses e acabou não utilizando os equipamentos de segurança como capacetes, cotoveleiras e joelheiras. "Quanto menos acessórios, melhor", explica Barbara, que abre mão das pulseiras. "Se a gente cai, elas podem machucar a mão", aponta. Mas o maxibrinco fica.






