À primeira vista, as irmãs Mayara e Cindy Beraldo, 16 e 18 anos, respectivamente, são garotas como outras de sua idade: gostam de passear no shopping, sair com as amigas e namorar, mas depois de um rápido bate-papo, elas mostram um lado que nada tem a ver com a fragilidade aparente. Elas são as únicas garotas do norte do Paraná que praticam enduro de jipe e moto. Percorrem trilhas, sobem morros e têm planos para correr de fusca speed no autódromo de Londrina. ‘‘É adrenalina pura’’, garante Mayara.
A paixão pelos esportes radicais foi herdada do pai, o empresário Antonio Carlos Beraldo, que sempre gostou de enduros e corridas de carro e moto. ‘‘Como meu pai não tem filho homem, desde os 9 anos nós o acompanhamos nos enduros e acabamos nos apaixonando por esse esporte’’, recorda Cindy, que apesar de ter nome de modelo, preferiu as trilhas às passarelas. Quem não curte muito é a mãe, a empresária Miriam Beraldo, que acaba ficando sempre sem a companhia das filhas nos finais de semana.
Mas durante a semana, as meninas também dão duro: estudam de manhã, trabalham à tarde na empresa da família e à noite vão para a academia malhar. ‘‘É preciso muita malhação para aguentar o peso de uma moto DT-200R’’, brinca Mayara, que já participou até de enduro equestre (corrida de cavalo). ‘‘Eram 40 homens e só eu de mulher, fiquei em 8º lugar’’, orgulha-se. Em dezembro, ela vai participar de uma endurela de moto com 60 casais. ‘‘Havará outras mulheres participando, mas na garupa, eu serei a única que estará pilotando’’, acrescenta.
O primeiro tombo ‘‘É preciso um bom preparo físico porque, apesar de estar rodeada de homens, no enduro não existe cavalheirismo. Se você cai, nenhum homem vem socorrer ou ajudar a levantar a moto. Nesse esporte não há lugar para frescuras’’, conta Cindy. O grande sonho das duas irmãs é participar do rali dos sertões que começa em São Paulo e vai até Fortaleza. ‘‘Mas isso exige muita preparação e experiência. Primeiro é preciso comer muita poeira nas trilhas da região’’, garante Mayara.
E quem pensa que as irmãs Beraldo não estão nem aí com a feminilidade está enganado. Vaidosas, mesmo quando vão para um enduro, não esquecem de levar um kit de maquiagem na mochila para se produzir logo depois de cada aventura. Mas, às vezes, a vaidade fica comprometida por causa de alguns arranhões. ‘‘Uma vez estávamos subindo a Serra do Cadeado de moto, caímos e ficamos com as pernas e os braços ralados. Foi nossa primeira queda’’, lembra Mayara.
Perigos à parte, as irmãs não abrem mão de fazer tudo com muita responsabilidade. ‘‘Obedecemos às regras e usamos todos os equipamentos de segurança’’, afirma Cindy. Apesar de saber dirigir carro e pilotar moto, Mayara, que é menor de idade, só faz isso em trilhas, onde é permitido. ‘‘Quando é preciso pegar rodovias e entrar nas cidades, meu pai assume o comando’’, diz Mayara, que só estava esperando completar 16 anos para correr no autódromo. ‘‘Até o final do ano vou participar da minha primeira corrida de fusca speed’’, comemora Mayara.

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