Garanta a saúde do seu bichinho
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quinta-feira, 25 de abril de 2002
Rosângela Vale 
Quem é que já não se encantou, ao passar por algum pet shop, com um filhote irresistivelmente fofo de olhar carente que parece implorar me leva pra casa? Muita gente não consegue resistir a esse apelo. Afinal, um animalzinho é uma companhia e tanto, um amigo incondicional que enche o ambiente de alegria e amor. O que alguns parecem não se dar conta é de que bichos de estimação proporcionam tudo isso, sim, mas exigem muito também. O ato de adquirir um deles tem que vir acompanhado de responsabilidade, pois trata-se de um ser que vai depender totalmente do dono por toda a vida. Quem não quer ter trabalho, que compre um bicho de pelúcia, avisam os veterinários Rodrigo Reis e Silvia Ribeiro, especialistas em cirurgia de pequenos animais.
Banhos, ração adequada à idade do bicho, vermífugo, vacinação, passeios diários, cuidados com pulgas e carrapatos... Ter um animal exige dedicação, boa vontade e, é claro, dinheiro no bolso. Economizar com a saúde dele não costuma ser um bom negócio. Muitas vezes, o proprietário leva o animal para ser vacinado pelo balconista da casa agropecuária, pois nesses locais as vacinas são mais baratas. O problema é que geralmente não são éticas, ou seja, não têm um veterinário responsável, e o dono sai sem a certeza de que o bicho foi realmente imunizado, alerta Rodrigo.
Ele explica que, para garantir a eficácia da vacina, é preciso que ela esteja acondicionada entre 3 e 8 graus Celsius e que o animal seja examinado antes, pois se ele estiver com alguma doença ou mesmo com a temperatura elevada, a vacina não tem efeito. Outro problema frequente apontado pelos veterinários é o uso de contraceptivos. Em alguns casos, essas drogas têm suas indicações, mas são, muitas vezes, prescritas por balconistas de pet shops de maneira indiscriminada, diz Rodrigo, apontando os efeitos nocivos dessa prática, como infecções uterinas e tumores de mama. Nas gatas, a probabilidade de um tumor desses ser maligno chega a 80%, informa.
Castração O método contraceptivo ideal, segundo os veterinários, é tirar a fêmea do contato com o macho ou fazer a castração (retirada do ovário, trompas e útero). O proprietário opta pelo anticoncepcional para não gastar com a castração e acaba gastando muito mais com a cirurgia para a retirada do tumor. Sem falar que o animal sofre demais e corre risco de vida, diz Sílvia, ressaltando a importância da castração. Nos cachorros, os tumores podem ter também causas genéticas, nutricionais e hormonais. A castração precoce aos seis meses de vida ou, no máximo, logo depois do primeiro cio é uma forma de prevenir a doença. Dessa forma, as chances de o animal ter câncer na vida adulta são bem menores.
De acordo com Rodrigo, outro erro frequente que traz animais às clínicas veterinárias é a mania de dar remédio humano aos bichos. Antiinflamatórios e analgésicos têm efeitos colaterais ampliados nos animais. Eles possuem um trato gastrointestinal muito mais sensível que os humanos e não toleram a composição desses medicamentos. As consequências são ulcerações gástricas, diarréia e peritonite, explica. Segundo Sílvia, antes de prescrever uma medicação qualquer ao animal, é importante saber que falta de apetite, tristeza e prostração são sintomas da maioria das doenças. Podem indicar desde uma simples indisposição alimentar até uma doença infecciosa, diz. Por isso, é fundamental procurar um veterinário. A maioria fica esperando o animal melhorar e o leva à clínica quando já não há mais o que fazer, alerta Sílvia.
Quem tem caõzinhos tipo toy tem que redobrar os cuidados. A incidência de fraturas de membros inferiores nesses animais é muito grande. E o tratamento, demorado e caro, avisa Rodrigo, que aconselha ao dono evitar que crianças pequenas peguem o animal no colo e também que ele fique subindo em sofás e camas para não correr o risco de cair. Já aos proprietários de cães de grande porte o recado é: cuidado com os suplementos de cálcio. Eles não são necessários e podem causar alterações ósseas.
Mário César
Quando vi a Nina na loja, foi paixão à primeira vista. Ela é da raça Samoieda, da Mongólia, usada para puxar trenós e aquecer a família. Ela dorme no meu quarto, embaixo da minha cama, não é de latir muito, mas gosta de exclusividade, é muito ciumenta. Levo para o veterinário toda semana, alternando banhos a seco e normais. Ela come ração e outras coisinhas extras; adora balas. Agora moramos em casa, mas durante seis meses vivemos com ela em apartamento. Na época, colocamos fralda de criança quando ela entrou no cio. Não pretendo colocar para cruzar agora, vou esperar mais um pouco. A troca de pêlos, de seis em seis meses, é o que mais dá trabalho, porque tem que ficar limpando a casa. Veridiane Andrade Silva, estudante
Mário César
Sempre tive paixão por gatos e uma amiga me presenteou com a Ayesha, uma gata persa de 1 ano e seis meses. Ela deu cria e, dos três filhotes, só a Gilda, hoje com três meses, sobreviveu. Não deu tempo de levar ao veterinário, o parto foi ao lado da minha cama, às 5 horas da madrugada, com várias complicações. Partos dão muito trabalho, por isso, pretendo castrá-la. Não acho que elas dão trabalho. Gatos são superindependentes, têm a vida deles. As únicas coisas que tenho que fazer é levar ao veterinário para vacinar e também para tomar banho toda semana, dar ração e trocar a água quatro vezes por dia. Fábio Fava, estudante


