Poder trabalhar em outro país de forma legal é o sonho da maioria dos estudantes que estão terminando ou já terminaram a faculdade. Desejo que muitas vezes esbarra na dificuldade de se conseguir um visto de entrada e até mesmo de encontrar uma vaga no concorrido mercado internacional.
Para ajudar esses jovens a alcançar seu objetivo e também a desenvolver seus potenciais de liderança e responsabilidade, foi criado na Europa a Aiesec - organização internacional constituída de estudantes universitários e recém-formados que buscam manter contatos internacionais. ''Ela foi criada na França, depois da 2 Guerra Mundial. O objetivo principal era ajudar a construir os países destruídos pelos conflitos. Jovens eram enviados de um país a outro, conforme a necessidade local'', explica o diretor de relações corporativas do escritório da Aiesec em Londrina, Daniel Berbel.
De lá para cá, a organização cresceu e ganhou o mundo todo. Hoje, ela está presente em mais de 100 países nos cinco continentes, agrega cerca de 25 mil membros e realiza mais de quatro mil intercâmbios por ano. ''Mas não somos apenas uma central de intercâmbios. Antes de conseguir uma vaga de trabalho em outro país, os candidatos participam de treinamentos e realizam trabalho voluntário em alguma das várias diretorias de cada escritório (nas áreas de vendas, RH, finanças, marketing e intercâmbio). Isso tudo para desenvolver a liderença'', afirma a jornalista Natália Ferreira de Freitas, que trabalha com o marketing do escritório de Londrina e pretende viajar a trabalho ainda este ano.
''Cada participante pode escolher seu aprendizado. Depois do treinamento de quatro semanas, o candidato passa para o nível de desenvolver a responsabilidade, trabalhando como voluntário. Depois, ele pode escolher entre ser um líder de algum setor ou seguir para o intercâmbio, que é feito nas áreas gerencial, técnica, educacional ou de desenvolvimento'', diz o estudante de administração e diretor de gestão de pessoas da Aiesec Londrina, Rafael Nakandakari.
Para participar do programa, é preciso ter concluído ao menos 60% de algum curso superior ou ter no máximo dois anos de formado. O tempo de duração dos estágios pode variar de dois meses até um ano e meio e as vagas estão disponíveis em vários países. ''Geralmente, não é possível que o estudante escolha o país que quer trabalhar porque é preciso unir a disponibilidade da vaga com a capacidade de cada candidato e as exigências específicas de cada empresa parceira'', lembra Rafhael Dalto, diretor de intercâmbio da Aiesec.
Além de conseguir as vagas de trabalho, os voluntários também ajudam os intercambistas e encontrar um local para morar no país e oferecem apoio para qualquer eventualidade. ''Os estagiários podem ficar em apartamentos alugados, pensionatos ou repúblicas, dependendo da vontade de cada um. Com exceção do trabalho na área de desenvolvimento, que é basicamente voluntariado para saúde, ecologia e ações sociais, todos os outros recebem salário para se manter no país. Os que são voluntários têm alojamento e alimentação garantidos pelas ONGs que estão ajudando. Se o intercambista não gostar das acomodações ou do emprego, o escritório da Aiesec na cidade onde ele está irá resolver esse problema'', garante Dalto.
Em alguns casos o estágio dá tão certo que se transforma em emprego fixo. A intercambista Marúcia Ferreira de Freitas, 28 anos, formada em relações internacionais chegou em Toronto, no Canadá, em junho do ano passado, para uma permanência de um ano como trainee em uma empresa de pesquisa de mercado. Agora, ela foi convidada a ficar definitivamente na cidade e no emprego, proposta aceita de imediato. ''Estou ambientada com a cidade, com o trabalho e tenho alguns bons amigos, daqueles que a gente sabe que pode contar. Já moro em um apartamento só meu e estou adorando ficar aqui. Vida é vida em qualquer lugar - a gente trabalha, paga as contas, encontra os amigos... - mas a sensação de estar em um lugar legal e fazendo uma coisa que se gosta muito é realmente muito bom'', comentou ela.
Para o presidente da Aiesec Londrina, Daniel Blaia Gouvea, as vantagens de fazer um intercâmbio com a possibilidade de trabalhar na área de graduação é extremamente positiva. ''O valor que se agrega ao currículo é muito grande. Além da experiência em uma empresa estrangeira, o aprimoramento de outro idioma e o network internacional, o trabalho nos escritórios propicia aos estudantes a traçar metas. São trabalhos que causam um impacto muito positivo na vida dos intercambistas e também nas empresas. Os brasileiros são muito bem vistos para trabalhar'', diz.
''As vivências que tenho tido aqui já estão agregando novos conhecimentos, novos aprendizados. Cabe realmente a nós mesmos fazermos o melhor das nossas vidas. Sou grata por ter tido a oportunidade de vir para cá, grata à organização que me deu essa possibilidade, grata ao apoio das pessoas queridas e também a força de vontade e interesse que tive que ter - é preciso querer algo da vida e correr atrás do que se quer. Estou feliz no Canadá. Toronto agora é mais uma das 'minhas cidades''', completou Marúcia.

Serviço: Aiesec Londrina - Telefone 9960-7154.

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