Gagueira tem solução
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sexta-feira, 09 de novembro de 2001
Cláudia Collucci<br>Agência Folha 
Pais devem ficar atentos para a repetição de sons, sílabas ou palavras inteiras durante os primeiros anos dos seus filhos. Geralmente, o problema desaparece até os 5 anos, mas, se persistir, pode ser o primeiro sinal da gagueira.
Nesse caso, a sensibilidade dos pais é fundamental. Chamar a atenção da criança, interrompê-la, corrigi-la e obrigá-la a falar corretamente só piora a situação. O melhor é procurar ajuda médica e fonoaudiológica.
Especialistas dizem que a gagueira pode ter origem na pressa de ouvir e de falar. Isso causaria um descompasso entre o pensamento e a fala. Mas há divergências quanto às causas e formas de tratamento do distúrbio.
Existem correntes para justificar o problema a partir de fatores hereditários, psicológicos, orgânicos ou sociais.
Tipos de gagueira A fonoaudióloga clínica Sílvia Friedman, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), afirma que há condições subjetivas e sócio-culturais que podem possibilitar que uma pessoa desenvolva ''gagueira natural'' ou ''gagueira sofrimento''.
A gagueira natural seria aquela que não causa incômodo à pessoa. Ela até pode hesitar na hora da fala, repetir palavras ou sons, mas não se constrange. A gagueira sofrimento é justamente o contrário. Ao falar, a pessoa fica tensa, com medo de errar e o ato transforma-se em um verdadeiro tormento.
Gaguejar ou não, segundo Friedman, é uma questão relativa à situação de comunicação, e não orgânica, e acontece em um momento de concorrência das palavras. ''Todos nós temos gagueira. É uma reação normal'', afirma.
Para ela, o grande problema é a sociedade preconceituosa, que hostiliza quem não tem uma fluência perfeita. Friedman foi uma das organizadoras de um livro sobre o tema lançado recentemente em São Paulo.
No caso das crianças, segundo a fonoaudióloga, os pais são peças-chaves no tratamento. O principal desafio é fazê-los reinterpretar seus filhos e entender que não há fluência absoluta.
Diagóstico Para a fonoaudióloga Ana Maria Alvarez Maaz Alvarez, há possíveis causas neurológicas e psiquiátricas envolvidas no processo da gagueira, que precisam ser avaliadas por meio de um diagnóstico sofisticado, que inclui exames de processamento auditivo e eletrofisiológicos, avaliação clínica e outros testes. Os exames eletrofisiológicos mostram a velocidade com a qual o estímulo auditivo percorre o sistema nervoso.
A partir dos resultados, segundo Alvarez, é escolhido o tratamento ou treinamento a que o paciente será submetido. Às vezes, por exemplo, ele precisa perceber mais pausa e musicalidade, funções que estão no hemisfério direito. São escolhidos, então, exercícios que vão estimular a parte do cérebro carente daquela função.
Alvarez afirma que certos tipos de gagueira estão relacionados à doenças como déficit de atenção e da síndrome de Tourette, que provoca tiques, movimentos involuntários, entre outros.
Nessas situações, além da fonoaudióloga, outros dois profissionais (neurologista e psiquiatra) participam da avaliação do paciente. Geralmente, é indicado o uso de medicamentos que vão reequilibrar a rede de neurotransmissores substâncias que fazem a comunicação no cérebro. n


