Fumar: um hábito ''démodé''
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quinta-feira, 21 de setembro de 2000
Carla Rayon Agência Estado 
Definitivamente, o mundo declarou guerra ao cigarro. Se, no passado, o hábito chegou a ser envolvido numa certa aura de glamour, agora, a coisa está bem diferente. O fumante é confinado, nas empresas, em redutos pequenos e abafados para saciar o desejo de fumar. Uma situação, diga-se, um tanto quanto constrangedora. Como dizia um antigo comercial de uma marca de cigarros, o raro prazer, aos poucos, vem ganhando um número cada vez maior de ex-adeptos. Ponto para a saúde, não só do fumante, mas também das pessoas que o cercam. Para quem não sabe fumar por osmose, respirando o mesmo ar do viciado, pode fazer tanto mal quanto fumar de verdade.
Apesar de toda a onda antitabagista, o fato é que não há como simplesmente acabar com todos os fumantes numa única tacada. A coisa vai longe, todo mundo sabe. Afinal, quem nunca já ouviu de um amigo a frase parei de fumar e, tempos depois vê aquele mesmo cidadão ostentando o bendito cigarrinho entre os dedos, distraído com deliciosas tragadas? Mas, se por um lado as pessoas começam a fumar porque desejam, o mesmo não acontece com quem quer parar. É realmente uma empreitada difícil, coisa para os fortes e decididos. O prêmio é o maior estímulo (ou, pelo menos, deveria ser): bons anos a mais de vida.
Etiqueta Fumante que é fumante não admite, mas fumar está mesmo démodé. E, se você é daqueles que jamais pensam em abandonar o cigarro, saiba ao menos respeitar algumas regrinhas básicas de etiqueta. O pior do cigarro, mesmo aos fumantes, é o odor que ele exala no ar, nas roupas, na pele, nos cabelos, e não há como evitar isso. Homens não-fumantes juram que beijar uma mulher que fuma é a mesma coisa que beijar um cinzeiro. Sensíveis, não-fumantes percebem a distância quando alguém acendeu um cigarro. Mais do que demonstrar etiqueta, é sinal de respeito deixar de acender um cigarro quando estiver perto de quem não fuma. Mesmo com as placas indicativas, vale lembrar: jamais acenda o cigarro, charuto ou cachimbo em visitas a quartos de doentes (mesmo que o enfermo seja fumante), igrejas, teatros, carros, concertos, cinemas, elevadores, durante eventos onde há um aglomerado de pessoas, na casa de não-fumantes e no quarto de dormir, quando se é hóspede.
À mesa, o fumo está definitivamente proibido antes, durante e depois de cada prato. A nicotina acaba tirando o paladar. Após a sobremesa, café e licor, só ouse acender o cigarro se perceber que o anfitrião também fez menção de fumar caso contrário, esqueça. Apesar de ser um sacrifício, principalmente para os fumantes, é preciso respeitar as normas de educação.
No trabalho, evite fumar em salas fechadas e sem ventilação. Para isso, procure estipular um horário para dar um escapada até o fumódromo, mas cuidado para não ser demitido justamente por isso. Em reuniões, apenas se a sala for ampla e ventilada o suficiente para não incomodar os demais.
Nos limites Apesar de toda a guerra contra o fumo, a ala anti-tabagista precisa ter muito tato para não se tornar indelicada e invadir o espaço do fumante. É evidente que ninguém precisa fumar sem ser fumante, mas, de acordo com as regras de etiqueta, está proibido censurar aqueles que o fazem. Nada mais desagradável e irritante para o fumante do que ter de escutar discursos anti-tabagistas em qualquer lugar e horário.
Mesmo não sendo fumante, cabe ao anfitrião dispor de cinzeiros para oferecer aos fumantes, além de convidar o outro para fumar caso perceba que este não está à vontade para fazê-lo.
Um homem educado jamais fala com o cigarro preso entre os lábios ou dentes. Ele precisa estar sempre atento também para acender o cigarro da mulher tão logo perceba que ela deseja fumar, porém deve ter o máximo cuidado para orientar a chama do isqueiro ou fósforo de forma a não incendiar o cabelo ou cílios de sua companheira. Antes de apagar a chama do isqueiro, deve certificar-se de que o cigarro dela foi mesmo acesso.
Jamais acenda um cigarro no outro. Controle-se. Quanto à fumaça, sopre-a para o mais longe possível, para diminuir o efeito desagradável que ela provoca nas pessoas, principalmente nos não-fumantes que estarão por perto. E avalie a possibilidade de parar de fumar. Essa parada pode ser gradativa. Quando sentir vontade de acender um cigarro, adie isso por dez minutos. Aos poucos, aumente este tempo. Ao final da semana, verá quantos cigarros deixou de fumar. Vale a pena, por você.


