Fuja das armadilhas do frio
Rosângela Vale
É difícil resistir. O frio é um convite ao aconchego do lar. Televisão, cobertor, pipoca e chocolate quente parecem ser o programa mais sensato diante das baixas temperaturas que açoitam quem se atreve a colocar os pés fora de casa. Academia? É sempre aquela história: quem sabe amanhã, se esquentar um pouco... No final do inverno, a balança denuncia a preguiça. Sem os amplos casacos e as volumosas blusas de lãs, o espelho é cruel. E a proximidade do verão exige medidas urgentes. Começa, então, a corrida contra o tempo para recuperar a forma perdida. No início da primavera, as consultas aumentam de 30% a 40%, diz a nutricionista Elaine Cristina de Melo.
Dependendo da quantidade de quilos adquiridos, uma dieta nem sempre resolve a questão a curto prazo. Para evitar essa briga desleal com a balança - e enfrentar praia e piscina sem medo - manter o peso é bem mais inteligente. E nem é tão difícil assim. De acordo com Elaine, o aumento da fome durante o inverno é muito mais psicológico do que fisiológico. No frio, o organismo precisa trabalhar mais para manter a temperatura corporal, que é de 36,5 graus. Por isso, a necessidade de ingerir calorias aumenta um pouco. Mas só um pouco, esclarece. O que não justifica, portanto, o apetite voraz. Nessa época, ficamos mais em casa e o contato com a comida é maior, observa.
Saladas refogadas A falta de atividade física é outro pecado mortal contra a silhueta. O gasto calórico com os exercícios compensa o aumento da ingestão de comida, o que ajuda a manter o peso. Engordar e emagrecer é uma questão matemática, explica. Mudar totalmente o cardápio devido à novas condições climáticas também é um erro. A necessidade de comer pratos quentes faz com que as frutas e saladas acabem sendo deixadas de lado. Mas é possível manter o cardápio de verão alterando a temperatura dos alimentos, ensina a nutricionista, que recomenda preparar saladas refogadas ao invés de cruas e sugere frutas assadas com canela. Com as especialidades de inverno, basta fazer algumas alterações. No chocolate quente, por exemplo, é só trocar o leite normal pelo desnatado e esquecer o leite condensado. Massas simples, com molho vermelho, são as mais indicadas. Já com a feijoada, moderação é a palavra de ordem. Escolha pedaços de carne mais magros e complemente com bastante couve e laranja, recomenda Elaine.
Limites Para se ter uma idéia, uma concha média de feijão comum tem 300 calorias; a de feijoada tem o dobro. Com todos os acompanhamentos, o prato chega a mil calorias. Ao repeti-lo, a cota diária de calorias necessárias para a sobrevivência (e portanto, para manter o ponteiro da balança) terá se esgotado e, em alguns casos, até passado dos limites. Um adulto normal precisa, em média, de 2 mil calorias por dia, informa Elaine. Para quem não abre mão dessa especialidade da cozinha brasileira, a nutricionista aconselha planejamento. Ao programar uma feijoada, compense nas demais refeições do dia, comendo apenas uma fruta de manhã, outra à tarde e uma sopa de legumes à noite.
As pessoas que seguem uma dieta equilibrada, o ideal é fazer várias refeições por dia, incluindo o jantar e a ceia. Seis são ideais, mas se não der, faça pelo menos quatro, aconselha a nutricionista. A regra básica é evitar carnes gordas e molhos com muito queijo. Não há contra-indicações em comer à noite, só em comer demais, o que não é recomendável em nenhum horário, diz ela. Outra dica importante: evite tomar líquidos durante as refeições, pois eles diluem o suco gástrico, dificultando a digestão, além de distenderem o volume do estômago. Com o tempo, vem a necessidade de aumentar esse espaço que foi criado, o que pode acarretar aumento de peso, avisa Elaine.Comer com moderação e não abandonar a atividade física são antídotos contra os indesejáveis quilinhos ganhos durante os meses de inverno
Dorico da SilvaNo frio, o organismo precisa trabalhar mais para manter a temperatura corporal. Por isso, a necessidade de ingerir calorias aumenta um pouco, diz a nutricionista ElaineAs frutas em calda ou assadas podem ser servidas quentes ou frias





