Frio resgata cachecóis e echarpes
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Daniel Piza<br> Agência Estado 
Basta que o termômetro comece a baixar para que eles reapareçam: cachecóis, echarpes, lenços, foulards e xales enrolados no pescoço, de todas as cores, desenhos, tamanhos, tecidos e modos de usar.
Os adereços têm sido típicos da meia-estação nos últimos anos, mas a cada temporada vêm com mais força e variedade, e até misturados a roupas leves como camisetas e decotes nos veranicos da temporada. Tal como o clima mundial, a moda confunde inverno e verão e caminha para o instável.
Para a consultora Glória Kalil, a moda capta tudo e não seria diferente com as mudanças de clima geradas pelo aquecimento global. Ela conta que as grifes mundiais têm investido cada vez mais em coleções híbridas, que mesclam itens das duas principais estações, por uma exigência de globalização. As grandes marcas vendem cada vez mais nos dois hemisférios, por isso têm interesse em promover essa mistura.
Como sempre, uma moda nasce da combinação de circunstâncias históricas, achados estilísticos e necessidades econômicas. Mais informadas sobre moda, as mulheres anônimas, que passam longe de fashion victims, mostram que também sabem casar as informações com suas necessidades e características, como a cor da pele, as proporções do corpo e o comprimento dos cabelos.
Ao mesmo tempo, usam os acessórios de forma diferente da que se usava antes, escapando da simetria bem-comportada e da monocromia que eles costumavam sugerir. Sem medo de errar, encarnam traços que distinguem a moda deste início do século, como o contraste de padrões e o high & low, a combinação de itens caros e baratos, luxuosos e populares.
Não há mais tendências; há estilos, resume Glória Kalil, lembrando que a
volta da pashmina há cerca de dez anos usada como echarpe ou xale, inclusive em dias de sol foi um evento de consumo que ainda não se repetiu. A urbanidade atual pede por variações cada vez mais livres.
Esses acessórios permitem que uma roupa sóbria de trabalho ganhe o movimento e o colorido de um tecido que balança com o vento e a caminhada ou que uma roupa descontraída de passeio se cubra de um tom mais chique ou formal para uma reunião ou jantar noturno. Isso envolve também a adaptação aos ambientes, exigida pela atual onipresença de ar-condicionado em empresas, restaurantes e shoppings.
Enfim, na meia-estação e no inverno, cobrir o pescoço pode ser tão atraente quanto exibir as pernas no início do verão. Muito mais vem aí, porque as lojas ainda esperam novas coleções. Mas o desfile já corriqueiro de echarpes mostra de novo que moda não se trata apenas de utilidade ou vaidade. (Colaborou Micaela Orikasa/Reportagem Local).


