Frágil, mas nem tanto
Celso Mattos
Muitas mães, principalmente as de primeira viagem, sentem-se inseguras diante da aparente fragilidade de um bebê recém-nascido. Mas é uma parte do corpo da criança a moleira que geralmente causa maiores preocupações aos pais. Por desconhecimento da função e da anatomia da moleira, eles acabam supervalorizando essa região, transformando um simples banho numa operação de guerra. Ao passar a mão no alto da cabeça de um bebê tem-se a impressão de que o cérebro está protegido apenas por uma fina camada de pele.
Mas será que a moleira é tão frágil assim? O médico neuropediatra Aparecido Andrade responde que sim, mas não tanto quanto as pessoas pensam. Aquela membrana que representa ser muito fina, na verdade, tem uma espessura razoavelmente grossa. Primeiro tem a pele e o couro cabeludo, depois, uma camada de músculos e gorduras, em seguida vem as meninges e só depois o cérebro, explica o neuropediatra.
Ele ressalta que a moleira tem basicamente duas funções: A primeira é proporcionar espaço para o cérebro crescer e, a segunda, facilitar a passagem do bebê durante o parto. Os quatros ossos que formam o topo da caixa craniana do bebê apresentam-se apenas justapostos, permitindo que a cabeça da criança tenha um diâmetro menor na hora do nascimento. Só por volta dos 8 a 12 meses de idade é que acontece a soldagem completa desses ossos, formando a caixa craniana.
O neuropediatra Aparecido Andrade informa que, na verdade, os bebês têm duas moleiras: a anterior, chamada de bregma, e a posterior, conhecida como lambda. A anterior está localizada um pouco antes do alto da cabeça, e é mais percebida pelas mães. Logo após o nascimento, ela mede em torno de três a quatro polpas digitais de diâmetro, fechando-se gradadivamente entre os 8 meses e 1 ano de idade. Já a posterior mede de uma a duas polpas digitais e, geralmente, se fecha até os três meses de vida.
Espelho da saúde Segundo o médico, o fechamento precoce da moleira pode impedir o crescimento do cérebro, causando uma craniossinostose. Isso pode trazer problemas neurológicos à criança. A doença exige tratamento cirúrgico, que deve ser realizado o mais cedo possível. Trata-se de uma cirurgia simples, na qual apenas os ossos são manipulados e não o cérebro. O médico faz um alargamento da fenda que se fechou precocemente, permitindo que o cérebro volte a crescer saudável e harmonicamente. O neuropediatra salienta que o fechamento precoce da moleira não é comum. É de um caso para cada 2 mil nascimentos.
Se a moleira demora para fechar pode ser sinal de que o cérebro da criança está crescendo mais do que deveria, dificultando a soldagem dos ossos.Uma das doenças que provoca esse quadro clínico é a macrocefalia, causada por hidrocefalia ou coleções líquidas no diâmetro do crânio. Outra possibilidade é que a criança apresente um problema de raquitismo ou nanismo. Todas essas anormalidades são facilmente diagnosticadas durante exames de rotina, quando o pediatra, entre outras coisas, deve medir o perímetro cefálico do bebê.
O neuropediatra Aparecido Andrade diz que a moleira também funciona como um espelho da saúde da criança. Se ela aumentar de volume, ficando com a aparência de uma bolha, pode ser sinal de uma meningite. Já quando a moleira fica rebaixada ou funda, o bebê pode estar desidratado, explica. O médico ressalta que a moleira é uma região frágil da anatomia do recém-nascido, mas nem tanto. Pode-se passar a mão e fazer carinho. Apesar de não ter a proteção dos ossos, não é qualquer batidinha que vai causar problemas. É preciso ter muito cuidado com materiais perfurocortantes, pontiagudos e pancadas fortes, orienta o neuropediatra.Mais resistente do que aparenta, a moleira é uma invenção perfeita da natureza, pois tem a função de proporcionar espaço para o cérebro crescer
ReproduçãoMuitas mães transformam um simples banho numa operação de guerra, com medo de machucar a moleira do bebêArquivo FolhaQuando a moleira apresenta uma aparência funda, pode ser um sinal de que o bebê está desidratado, informa o neuropediatra Aparecido Andrade





