Formas recicladas
Angela Raizer Barbosa
No início, o mosaico era feito de pedras. Sua origem data da era anticristã, atingindo seu apogeu no império bizantino. É, sem dúvida, uma das mais antigas formas de arte conhecidas. Com o tempo, as técnicas de produção foram se aprimorando, fazendo com que o mosaico deixasse de ser apenas um material para confecção de painéis de santos e abóbadas para ser utilizado em peças decorativas e utilitárias. Os cacos coloridos são aplicados diretamente sobre compensado, madeira, papel ou mesmo cimento e, depois, mesclados a materiais como ferro e madeira.
Adaptado a materiais modernos, como pastilhas de vidro, cerâmica, mármore, o mosaico ganhou novo fôlego e aparece em tampos de mesas, bancos, pisos, observa o arquiteto Guilherme Torres. Resgatado por decoradores e arquitetos nos anos 80, o mosaico voltou revestindo paredes e áreas externas e foi adquirindo novo status até dominar a cena mesmo em salas de jantar, acrescenta ele. A técnica permite que se executem motivos geométricos, abstratos ou figurativos, variando conforme o artista ou de acordo com o que o cliente pedir. Em ambientes mais sóbrios, o mosaico de mármore imprime uma atmosfera mais sofisticada, enquanto que o de cerâmica compõe melhor numa decoração despojada e descontraída. Muitas vezes, o mosaico é um curinga, uma peça de charme, desde que bem colocado, diz Guilherme.
Desde sua origem até hoje, o mosaico continua sendo uma criação artesanal que transforma cada peça num trabalho único, com reinterpretações estéticas e técnicas de cada profissional. Montando mosaicos há cerca de cinco anos, Sandra Tolardo, estudante de pedagogia, nas horas de folga produz mesas, bandejas, aparadores, molduras, cantoneiras e outras peças que tanto podem decorar um ambiente como ser utilizadas no dia-a-dia. O gosto pelo trabalho artesanal Sandra herdou da mãe, sempre às voltas com cores e formas, e acabou identificando-se com a criação de mosaicos.
No início, ela produzia suas peças somente com cacos de cerâmica; mais recentemente, no entanto, Sandra vem adotando as pastilhas vidrotil, um material mais leve e delicado, para desenvolver parte de suas criações. Depois do desenho criado em cima de uma placa de madeira, as pastilhas ou os cacos são colocados um a um, rejuntados com uma mistura de cimentecola e gesso e impermeabilizados com um produto especial. A estrutura pode ser feita em ferro, madeira, concreto ou outro material que o cliente desejar.
Serviço: Sandra Tolardo, fone (43) 329-6749Pastilhas de vidrotil e cacos de cerâmica criam uma variedade infinita de peças decorativas e utilitárias
Mesa de centro em vidrotil com estrutura de cana-da-índiaFotos: Paulo WolfgangMesa de centro com transposição de um desenho de Miró: pastilhas de cerâmica quebradasBandejas individuais para copos em mosaico de vidrotilBandeja com apoio: base de madeira patinadaSegundo o arquiteto Guilherme Torres, o mosaico ganhou novo fôlego a partir dos anos 80, adquirindo novo status





