Fonoaudiologia contra rugas
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
Que o sol, o cigarro e o stress contribuem para adiantar o processo de envelhecimento, deixando marcas implacáveis do tempo no rosto, a maioria das mulheres já sabe. O que muitas delas desconhecem é que hábitos aparentemente inofensivos também são responsáveis por aquelas indesejáveis ruguinhas. Franzir a testa, falar fazendo biquinho, sorrir apertando os olhos e tomar água pressionando os cantos da boca são alguns exemplos de atos contínuos que podem vincar a pele. Maior novidade ainda é o tipo de tratamento que vem sendo indicado para atenuar essas marcas de expressão: a fonoaudiologia.
Segmentação da especialidade de motricidade oral (área que cuida da deglutição, mastigação, articulação e respiração), a fonoaudiologia estética funcional surgiu há cerca de cinco anos, em São Paulo, com o trabalho conjunto da dermatologista Luciane Scattone e da fonoaudióloga Magda Franco. Tudo começou com uma paciente que não apresentava resposta aos tratamentos dermatológicos convencionais (peeling e preenchimento) nas rugas ao redor da boca. Foram constatados, então, problemas como mastigação unilateral, articulação excessiva durante a fala e deglutição com tensão. Após algumas sessões de terapia com enfoque no relaxamento e alongamento na região oral, os resultados foram notáveis.
Percebeu-se, com isso, o estreito relacionamento entre os vincos de expressão e o uso que se faz, ao longo do tempo, da musculatura oral. Muitas das rugas indesejáveis podem ser consequência de posturas e movimentos feitos, repetidas vezes, para mastigar, deglutir, respirar e falar, ou ainda da tensão exagerada dos músculos da face. O que se pretende, com o tratamento, não é neutralizar as expressões, mas ensinar a paciente a evitar os exageros. ''Não se trata de ginástica facial. A paciente vai aprender a usar a musculatura para aliviar essa tensão'', esclarece a fonoaudióloga Audrey Ruiz Januário, responsável, junto com as fonoaudiólogas Paula Borim Bento e Maristela Yamanaka Matida, pela prática da técnica em Londrina.
Os exercícios ensinados pelas especialistas ativam a circulação sanguínea, aumentando a oxigenação e estimulando a produção de colágeno. A terapia consiste no alongamento e relaxamento da musculatura, com massagens e uso de materiais específicos. Os objetivos são a modificação de postura, o reequilíbrio de funções como mastigação, deglutição e fala e a eliminação de movimentos compensatórios desnecessários, como a contração da musculatura do lábio no momento da deglutição. De acordo com Audrey, esse hábito origina os famosos bigodes chineses (vinco ao redor da boca) e os indejáveis papinhos no pescoço.
''As pacientes relatam melhora, notando que a pele fica mais aveludada, já na terceira ou quarta sessão. Além de suavizar os vincos, o tratamento previne futuras rugas, pois a paciente começa a policiar os movimentos repetitivos, principalmente os de franzir a testa'', diz Audrey. Os resultados são evidentes sobretudo na região que contorna a boca (terço médio e inferior da face). As marcas são suavizadas e o rosto ganha um aspecto mais harmonioso.''É um trabalho multidisciplinar, complementar ao de dermatologistas, que vão orientar os cuidados diários com a pele'', ressalta.
Além dos exercícios, as fonoaudiólogas dão dicas para melhorar e utilizar mais intensamente a mastigação (a fim de fortalecer a musculatura da face e evitar bochechas caídas), sugerindo, por exemplo cortar o tomate em oito pedaços ao invés de rodelas e consumir mais alimentos cozidos. São necessárias de 8 a 10 sessões e, depois de aprendidas, as técnicas acabam sendo incorporadas ao cotidiano das pessoas.
''Faço os exercícios todos os dias, por mais ou menos 20 minutos. Quando se pega a prática, dá para fazer até na frente da TV'', garante a dona de casa Regina Cantoni Secco, 39 anos, que ficou animada com os resultados do tratamento.''Não é uma coisa milagrosa e nada comparável à cirurgia plástica, mas suavizou a expressão ao redor da boca. A melhora foi de 60% a 70%. Minhas amigas da academia perguntaram se eu havia feito preenchimento'', conta. n


