Com a correria do dia a dia e inúmeras tarefas que a sociedade moderna assume, a tendência é que as pessoas acumulem tensão, que acaba se refletindo no corpo e também no rosto. Além de fatores genéticos, naturais e descuido com alimentação, alguns hábitos diários que passam despercebidos, como o uso excessivo da expressão facial, são responsáveis pelo surgimento de rugas, marcas e vincos no rosto. Com o passar dos anos, os efeitos do envelhecimento vão se tornando mais evidentes e é neste contexto que entra a fonoaudiologia e estética como uma possibilidade de suavizar as rugas de expressão e rejuvenescer a face.
Esta nova área de atuação - Motricidade Oral - foi criada há 14 anos pela fonoaudióloga brasileira Magda Zorzella, que atua em São Paulo. O tratamento utilizado pela profissional, também desenvolvido por ela, foi batizado de Método MZ e atualmente é utilizado por fonoaudiólogos de todo o Brasil e começa a ser conhecido também em outros países, como Portugal e Chile - onde a precursora ministra cursos - e na América do Sul.
''Investiguei a ligação da ruga com a musculatura da face e identifiquei que a contração do músculo é uma das causas dessa marca'', relata a fonoaudióloga. O trabalho é natural, não invasivo e propõe o reequilíbrio das funções usadas no dia a dia. ''O aparecimento de vincos e rugas indesejáveis podem ser resultado da forma como engolimos, respiramos, mastigamos, falamos e nos expressamos'', explica. Para diminuir os abusos, o método conscientiza o paciente sobre os abusos da expressão e ensina como utilizar as funções fisiológicas adequadamente. ''Há uma reeducação e um reequilíbrio das funções naturais que fazemos no dia a dia'', completa Magda.
A fonoaudióloga Juliana Lepri, especialista em Motricidade Orofacial, que atua em Londrina com o método MZ desde 2007, enumera vários fatores que envelhecem o rosto, como a genética, a exposição ao sol, o cigarro, os hábitos alimentares inadequados e dormir poucas horas, por exemplo, além do exagero na utilização da expressão do rosto.
''A fono trata o fator mecânico, que é a tração repetitiva da musculatura da face, visando acalmar a expressão facial'', esclarece. Segundo a profissional, uma pessoa muito expressiva faz muita careta e, ao longo dos anos, isso vai marcando as rugas no rosto. ''É importante ter expressão facial porque nos comunicamos com ela, mas temos de saber utilizá-la, sem excessos.''
O tratamento consiste em uma avaliação para verificar como o paciente se articula e se expressa durante a comunicação e também como mastiga, engole e respira, observando a relação entre o uso da musculatura da face com as possíveis marcas de expressão apresentadas. O segundo passo é a orientação a respeito do que precisa ser alterado, por meio de um plano terapêutico, e na sequência vêm as 10 sessões, nas quais a pessoa aprende a aplicar os alongamentos e movimentos necessários para o seu caso.
Juliana ressalta que alguns hábitos cotidianos, aparentemente inofensivos, fazem toda a diferença para o rosto. ''Engolir franzindo as laterais da boca, mastigar de um lado só, franzir a testa enquanto fala e praticar exercícios físicos fazendo careta são exemplos de abusos musculares que precisam ser modificados'', explica. Em contrapartida, comer alimentos mais sólidos, como cenoura crua e maçã com casca, ajuda a musculatura a trabalhar e favorece a estética do rosto. É necessário, também, manter hábitos saudáveis de alimentação e hidratação.
A psicóloga garante que por volta da terceira ou quarta sessão já é possível observar os primeiros resultados do tratamento. ''Além de suavizar as marcas, como os movimentos ativam a circulação sanguínea, o rosto fica mais relaxado e ganha um novo viço'', reitera. O sucesso, no entanto, depende do empenho e da disciplina do paciente, que deve fazer os alongamentos corretamente duas vezes ao dia, pela manhã e à noite, e incorporá-los à sua rotina. ''São movimentos fáceis e com apenas cinco minutos podemos concluí-los'', afirma a criadora do método, Magda Zorzella, completando que o alongamento deve ser mantido por toda a vida.
O tratamento, natural e sem contraindicações, é destinado a pessoas dos 26 aos 75 anos. Entretanto, pacientes com menos ou mais idade também podem utilizar o método, pois ele é indicado tanto para quem procura prevenir as marcas quanto para quem já apresenta os sinais.

Imagem ilustrativa da imagem Fonoaudiologia a favor da beleza
| Foto: Ricardo Chicarelli
Juliana Lepri, fonoaudióloga especialista em motricidade orofacial, orienta paciente a aplicar os alongamentos
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