Fome oculta
Apesar de o desenvolvimento físico notório dos adolescentes, a alimentação anda muito deficiente. Um exemplo disso, verificou-se em São Paulo, como constatou a nutricionista Cintia Gama. A pesquisa feita com 316 alunos do Colégio Arquidiocesano (zona sudoeste de São Paulo) analisou a alimentação de alunos de 10 a 19 anos durante o ano de 1996. Nesse colégio, constatou-se que os alunos têm deficiência de ferro, vitamina A e cálcio.
A deficiência de vitamina A atingiu (50%) das meninas e (64%) dos meninos. O mesmo problema foi observado no cálcio: 70% das alunas e 60% dos alunos também ingeriram quantidades inadequadas da substância. A maior
deficiência de ferro, no entanto, foi observada nas meninas. 42%
precisavam de mais ferro, e apenas 9% dos meninos ficaram abaixo da marca desejada. No geral, as garotas se alimentam pior que os meninos, em virtude das dietas frequentes, para melhorar a imagem. O regime interfere no crescimento, inclusive pode estacionar o crescimento do adolescente.
A falta dessas substâncias pode causar queda no rendimento escolar. As fontes podem ser alimentos comuns, como feijão e carne
(ferro), leite (cálcio) e cenoura (vitamina A). A deficiência de ferro - a mais comum no total das crianças em São Paulo - pode causar ainda anemia, letargia e até queda de cabelo. O cálcio pode levar a desmineralização óssea, fraturas recorrentes, tremores e problemas cardíacos. A ausência de Vitamina A leva a distúrbios visuais, queda de cabelo e alteração da pele. Para resolver o problema chamado de fome oculta pela ONU, o Fundo das Nações Unidas para Infância está propondo ao governo que comece a adicionar ferro e vitamina A na farinha. Há experiências de fortificação de alimentos em vários países, como a do leite nos EUA, a do pão e leite da merenda no Peru ou ainda a do sal na Índia.
Do outro lado da balança cresce o número de adolescentes obesos. Além da tendência genética à obesidade, a alimentação inadequada é a grande vilã da obesidade. O insucesso no tratamento contra esse mal é muito grande. É difícil para o jovem obeso mudar de padrão alimentício quando em casa o modelo oferecido é de super-alimentação. Apenas 5% dos jovens alcançam sucesso no tratamento da obesidade.





