Fofinhos não, gordinhos!
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sexta-feira, 07 de janeiro de 2011
Vivian Fukushima<br> Reportagem Local 
Danielle C.R., de apenas quatro anos, sofre como gente grande para perder os quilinhos extras. Chocolate, refrigerante, bolo, e as deliciosas pipocas guloseima preferida da pequena - passam longe de seu cardápio, pelo menos durante a semana. "Nos finais de semana, claro que eu libero, afinal de contas, ela é criança. Mas sem exageros", conta a mãe Rosa M. C.
Ela conta que Dani, como é chamada, sempre foi um bebê gordinho, mas as dobrinhas encantavam todos à sua volta. "Eu ouvia de muita gente que ela era fofa e linda por estar sempre com aquelas bochechas coradas, e eu me orgulhava disso. Por isso, nunca me preocupei. Aliás, cresci acreditando que bebês magros é que tinham problema". A preocupação tomou o lugar do orgulho quando a mãe percebeu que aquela fofura toda permanecia no mesmo lugar, mesmo com o passar dos anos. "No ano passado, levei a Dani na festa de aniversário do filho de uma amiga que completava três anos, a mesma idade da minha filha, na época. Lá, perto de muitas outras crianças com essa mesma idade, percebi que ela era a maior. Nenhuma outra era tão gordinha quanto minha filha", conta.
Foi aí que Rosa procurou a ajuda de um nutricionista que avaliou a pequena e confirmou que ela estava, sim, acima do peso ideal. Depois de quase um ano de acompanhamento, agora falta pouco para a pequena atingir seu objetivo, ou seja, não ser mais considerada uma criança gordinha.
Segundo o IBGE, cerca de um terço (33,5%) das crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso no país. Já a obesidade atinge 14,3% da população nessa faixa etária. De acordo com Fabiana Jarussi, nutricionista e docente da Unopar, ainda hoje bebês gordinhos são relacionados à saúde, o que nem sempre é uma verdade. "A criança acima do peso pode ter os mesmo problemas que um adulto nessas condições, como alteração glicêmica, hipertensão, alto nível de triglicérides e colesterol, entre outros", explica. A nutricionista afirma também que dificilmente a família detecta o excesso de peso em bebês, por serem considerados fofinhos. O principal alerta acontece, principalmente, quando a criança entra na escola e é motivo de chacota entre os colegas.
Fabiana, que também coordena o Grupo de Reeducação Alimentar da Unopar, voltado a adultos, adolescentes e crianças, explica que, infelizmente, a porcentagem do último grupo têm aumentado nos últimos anos, e as crianças atendidas apresentam idades cada vez mais baixas. "A obesidade é resultado do estilo de vida que vivemos, com alimentos ricos em açúcares e calorias. Hoje, tudo é muito mecânico, e isso é estendido aos pequenos cada vez mais cedo", diz Fabiana.
Tratamento adequado
A nutricionista afirma que o principal fator do sucesso do tratamento nutricional infantil é a ajuda e envolvimento da família. "A criança não tem consciência real da situação. Se os pais comem mal, isso é repassado aos filhos, por isso a importância de toda a família mudar os hábitos alimentares", orienta. Além disso, o quanto antes esse problema for detectado, melhor, já que é na primeira infância que ocorre a formação da vida alimentar, ou seja, quando a criança está aberta a novos alimentos e sabores. "Não posso querer que uma criança de dois anos escolha entre uma maçã e um chocolate. A intervenção dos pais nessa hora é muito importante", argumenta.
No entanto, Fabiana afirma que não trabalha com privações, e sim, com o equilíbrio de alimentos. "Estimulamos a família e o paciente a adotarem bons hábitos alimentares e, de vez em quando, porque não, comer um salgadinho? Além disso, muita atividade física para a criançada. Com isso, as chances de o tratamento dar certo são altíssimas", garante.


