Ele atinge cerca de 5% da população mundial e pode trazer complicações físicas e psicológicas quando não é tratado. Ainda assim poucas pessoas conhecem de verdade o estrabismo, suas causas e seus tratamentos. A maioria acredita se tratar de um defeitinho no olho sem grandes consequências. Quem sofre com o problema acaba se acostumando com as piadas e aceitando os olhares confusos das pessoas na hora de uma conversa. Já outros transformam o problema numa marca registrada, como a atriz Cristiana Oliveira, que ficou famosa por assumir o olhar com leve estrabismo.
Mas a doença, segundo o oftalmologista Agenor Paes de Melo Sobrinho, pode ser sinal de alguma complicação mais séria. ''O estrabismo é um problema multifatorial. Pode ter origem hereditária, ser resultado de algum defeito de visão, como hipermetropia ou catarata congênita, e ainda ser sinal de algo grave, como um tumor no cérebro ou uma infecção. Também temos aqueles que são consequência de algum trauma no nervo do olho, causado por um acidente de trânsito, por exemplo'', afirma.
Dessa forma, qualquer pessoa pode ficar estrábica, se desenvolver alguma das complicações citadas. Se a causa for congênita, o médico diz que o estrabismo aparece entre dois e seis meses de vida. Se for acomodativo, resultado de algum problema de visão, surge entre os primeiros três, quatro anos. ''Já para os que são resultado de acidentes, tumores e infecções, não existe uma idade, pode acontecer a qualquer hora'', comenta.
Além da questão psicológica, uma vez que o estrábico acaba sofrendo com os apelidos e pode se tornar uma pessoa tímida e retraída, o estrabismo também atrapalha no desenvolvimento da visão em crianças. ''A pessoa desenvolve a diplopia, que é a visão dupla. Cada olho enxerga uma coisa diferente e o cérebro, para acabar com a confusão de imagens, suprime a visão do olho estrábico. A pessoa vai ter apenas a visão periférica do olho e esse dano é irreversível'', alerta.
Para tratar o problema, o especialista diz que existem três caminhos: o uso de óculos, medicamento e cirurgia. ''Se o desvio for resultado de um problema de infância, o mais comum é usar os óculos, que vão tratar problemas de visão também. Depois a tentativa é um colírio e por último tentamos a cirurgia, nos casos mais sérios. Quando o estrabismo vêm de um acidente, só se corrige com cirurgia. E quando ele surge por causa de um tumor ou infecção, o problema some com o tratamento das causas'', comenta.
A cirurgia é feita com anestesia geral e em uma semana o paciente pode voltar à rotina normal. ''Mas no mesmo dia a pessoa pode ir para casa. A intervenção é feita apenas na parte motora do olho, não na funcional. A cirurgia irá regular os músculos que ficam atrás do olho, colocando o órgão no local correto'', explica. Planos de saúde e o Sistema Único de Saúde (SUS) pagam a cirurgia.
Outro cuidado que os pais devem quando a criança é estrábica, é usar o tampão no olho afetado pelo desvio. De acordo com o médico, essa é a melhor maneira de evitar que a criança perca a visão do olho estrábico até que o tratamento, que é demorado, seja concluído. ''Com o tampão, a visão dupla não acontece e, dessa forma, não há a perda da visão. Ele deve ser usado até os sete anos de idade, quando a vista termina de se desenvolver'', comenta.
Para evitar qualquer risco no futuro, o médico aconselha os pais a levarem os filhos em um oftalmologista se perceberem mesmo um estrabismo leve. ''Um exame simples pode detectar o motivo do problema e definir a melhor forma de tratamento. Quanto mais cedo isso acontecer, melhores os resultados'', diz Agenor Sobrinho.

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