Flúor é bom, mas não demais
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sexta-feira, 09 de novembro de 2001
Celso Mattos 
Em setembro, a Secretaria Municipal de Saúde realizou um levantamento epidemiológico nas zonas urbana e rural de Londrina, entre escolares de 3, 5 e 12 anos, para detectar o nível de cárie e fluorose dentária. Foram pesquisadas 1.450 crianças das classes A,B,C e D de escolas municipais, estaduais e particulares, num total de 20 estabelecimentos de ensino escolhidos aleatoriamente.
A pesquisa foi coordenada pelo cirurgião-dentista Domingos Alvanhan, da Secretaria de Saúde. Segundo ele, no que se refere à cárie, os dados são bastante satisfatórios. ''Na zona urbana, as crianças de 12 anos apresentaram um nível de cárie de 1,11. Ou seja, dos 28 dentes permanentes, apenas um apresentava cárie ou havia sido restaurado''.
Um índice muito abaixo do que preconizou a Organização Mundial da Saúde (OMS) para o ano 2000. ''A OMS estabeleceu como aceitável um nível de três dentes por criança nos países de Terceiro Mundo. Portanto, o índice de cárie em Londrina está equiparado aos países europeus'', informa Domingos. Mesmo na zona rural, o saldo é positivo: 2,11 dentes atingidos pela cárie.
A pesquisa apontou também que na zona urbana 56,1% das crianças não têm nenhum dente cariado e, na zona rural, 36,9% não apresentam esse problema. O dentista ressalta que isso se deve ao bom trabalho da prefeitura de Londrina e da Clínica de Bebês da UEL no combate à cárie.
Fluorose Mas quando o assunto é fluorose, a pesquisa apontou, segundo ele, dados preocupantes. Na zona urbana, o índice é de 72,6%, e na rural, de 41,6%. ''Aqui o nível foi mais baixo porque a água não é fluoretada'', justifica o dentista. A OMS preconiza que quando a água de abastecimento da cidade é fluoretada, o índice de fluorose na população deve ser de 10%. ''Isso mostra que nós temos que rever o uso de flúor'', alerta Domingos Alvanhan.
O cirurgião-dentista reconhece que o flúor é um aliado importante no combate à cárie, mas precisa ser usado com critério. ''O aumento da fluorose não é um problema apenas londrinense ou brasileiro, mas universal. Hoje, há uma utilização muito grande de flúor, que está presente na água, nos cremes dentais, nos chás, bebidas, leites industrializados, nas papinhas de bebê e nos produtos odontológicos'', constata Domingos.
Novo problema Ele esclarece que tantos as indústrias de cremes dentais quanto as demais usam níveis de flúor estabelecidos por lei. ''Portanto, o que precisa ser mudado é a lei. ''Há 20 anos, o uso de flúor em porcentagem elevada era importante porque o índice de cárie era muito grande, mas agora a coisa mudou, como mostra a pesquisa. Nós solucionamos o problema da cárie, mas estamos criando um outro que é a fluorose'', alerta.
O cirurgião-dentista informa que a concentração de flúor nas pastas dentais é de 1.000 a 1.500 ppm (partes por milhão), como prevê a lei, mas, hoje, deveria ser de aproximadamente 700 ppm. ''Isso é um problema porque pesquisas indicam que até aos 6 anos de idade, a criança engole em média 25% da pasta''.
Segundo Domingos, a fluorose é uma doença causada pelo uso excessivo de flúor na fase de formação do esmalte do dente. A fluorose faz o dente perder o brilho, ficando mais opaco. Aparecem linhas brancas, cruzando a superfície do dente. ''A fluorose representa uma hipocalcificação do esmalte do dente, deixando-o mais poroso'', esclarece.n


