Flores e cores
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quinta-feira, 05 de maio de 2016
Karla Matida<br>Reportagem Local 
São Paulo - O grande relógio na boca de cena do desfile de Isabela Capeto é um forte ícone da edição número 41 da São Paulo Fashion Week. Isso porque o tempo é uma grande referência na moda, não só a brasileira. Os novos jeitos de consumir estão refletindo na oferta e na procura do que é produzido por estilistas e grifes, sejam elas grandes, pequenas, nacionais e internacionais. A época é mesmo de transição.
Nos últimos 20 anos, a SPFW conseguiu o que era uma bandeira de Paulo Borges, o idealizador e diretor da semana de moda paulista, maior evento de moda do País: antecipar os lançamentos e dar mais tempo para a cadeia produtiva. Assim, os desfiles passaram a acontecer com cerca de oito meses antes da chegada das coleções nas lojas.
Mas eis que a partir do ano que vem, vai ser justamente o contrário. As apresentações vão acontecer quase simultaneamente aos lançamentos. Algo que já se viu, de certa forma, no desfile da coleção de Karl Lagerfeld para Riachuelo. As araras entraram na passarela seguindo a fila final das modelos e duas mil peças foram vendidas em cerca de 40 minutos. A coleção chegou às lojas no dia seguinte.
Sem fazer desfile, a Osklen levou jornalistas e convidados para a loja na Vila Madalena para apresentar a coleção em uma exposição com roupas e iPads. Se não chegou a vender nada imediatamente, trouxe à tona o perfume "veja agora, compre agora", que deve comandar as próximas semanas de moda no planeta.
Em cinco dias, 38 grifes mostraram suas coleções principalmente no prédio da Bienal, QG da moda brasileira há 20 anos durante a SPFW. Sete estreias marcaram a semana, sendo que dois nomes já são veteranos do evento. Amir Slama, criador da Rosa Chá, mostrou sua marca homônima de moda praia. Já Alexandre Herchcovitch, que deixou a direção de estilo da grife que leva seu nome, agora passa a criar pela A La Garçonne. Cotton Project, Amabilis, Murilo Lomas, A.Brand e Vix também pisaram pela primeira vez na passarela paulistana.
Pela segunda coleção consecutiva, Ronaldo Fraga deu sequência à parceria com o coletivo paranaense Vale da Seda. Depois de falar de amor, no inverno, o estilista destaca o tema dos refugiados da Síria e da África. Pesada e até mesmo dolorida, a inspiração ganha cores contrastantes e leveza nos materiais eleitos por Fraga.
"Se a vida me dá limões, faço uma limonada", avisa Isabela Capeto nos bastidores do seu desfile, questionada sobre crise e os novos tempos da moda. Limão siciliano à parte, o amarelo é a cor preferida da estilista, que destaca a cor em seus vestidos mais delicados. Uma das saias chega a levar três meses para ficar pronta. Tempo é mesmo algo sério para Isabela, que trouxe para a passarela toques de uma nova sequência da Disney para a história de Alice no País das Maravilhas.
Adepta do slow-fashion, Paula Raia faz apenas um desfile por ano, sempre na coleção verão. Na semana passada, mostrou justamente a ação do tempo nos tecidos que escolheu para suas criações artesanais.
Já Patricia Bonaldi, atenta ao agora, bordou até bandeiras do Brasil em algumas peças da coleção da PatBo como um posicionamento para a atual situação do País. Ao mesmo tempo, trouxe a tropicália para colorir a passarela e o guarda-roupa de verão recheado de folhagens. O tema foi recorrente em outros desfiles, mesmo com variações seja no Havaí da Ellus e da A.Brand, ou da Califórnia de Juliana Jabour.
Na semana que vem, estarão por aqui coleções de moda praia da Lenny Niemeyer, Vix, Amir Slama, Triya, Salinas e água-de-coco por Liana Thomaz.

























