Fique de olho
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sexta-feira, 28 de novembro de 2003
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
Piscar os olhos com frequência, reclamar de dor de cabeça, franzir a testa para focar um objeto ou apertar a vista para ler um livro podem ser sinais de que a criança tem problemas de visão. Mas nem sempre as doenças se manifestam desta forma. Daí a necessidade de os pais levarem seus filhos ao oftalmologista quando pequenos.
A primeira visita ao médico deve ocorrer nos primeiros meses de vida do bebê se os pais notarem alguma anormalidade, como olhos sempre lacrimejando e com secreção. Trata-se de uma patologia comum, chamada de obstrução das vias lacrimais. Quem explica é o médico oftalmologista Leonardo Thomaz de Aquino Filho. Segundo ele, outro problema bem mais grave e raro, que pode atingir os bebês, é o glaucoma congênito caracterizado por olhos grandes e hipersensibilidade à luz.
Doenças hereditárias O oftalmologista informa que até os seis meses é normal a criança apresentar estrabismo ocasional. Depois dessa idade, se o problema persistir, deve-se procurar orientação médica. Quando há casos de miopia, hipermetropia, astigmatismo ou estrabismo na família, a atenção deve ser redobrada. Tais doenças são hereditárias, mas podem ser corrigidas quando diagnosticadas e tratadas até os 7 anos de idade.
De acordo com o médico, um problema comum na infância é o microestrabismo. Como tem dificuldade para focar as imagens, a criança entorta a cabeça para compensar o desvio. ''Se os pais não cuidam, a pessoa pode ficar com este vício para sempre. É uma queixa muito comum entre os jovens'', observa. Também bastante comum é a deficiência visual em apenas um dos olhos. O problema só pode ser diagnosticado com um teste de visão, o que deve ser feito por volta dos 3 anos de idade.
Segundo o oftalmologista, todas as escolas deveriam aplicar esse teste, geralmente feito com figuras de mãos em diferentes posições, a uma distância de 5 metros, com boa iluminação. Também é responsabilidade da escola observar prováveis problemas visuais dos alunos. Os sinais são claros. ''Crianças com astigmatismo, muitas vezes, conseguem enxergar bem, mas precisam fazer um grande esforço visual e, com isso, geralmente sentem cansaço, dores de cabeça e até náuseas'', descreve.
A miopia é ainda mais fácil de diagnosticar. ''O aluno procura se sentar mais próximo do quadro negro. Quando se senta lá atrás, fica apertando os olhos para enxergar'', informa o médico. Se não corrigidos, estes problemas podem comprometer o rendimento escolar. Para crianças por volta dos 7 anos, com deficiência grande (4 ou 5 graus) de miopia ou hipermetropia em apenas um dos olhos, a indicação é lente de contato. O oftalmologista observa que, como enxerga bem com um dos olhos, a criança dificilmente vai querer usar óculos, sobretudo pelo fator estético: uma lente é fina e a outra, grossa. Nos demais casos, a indicação é sempre óculos, por causa da praticidade.
Óculos solares Outro cuidado que os pais devem tomar é com o sol. Proteger os olhos dos pequenos dos raios ultravioleta é fundamental para evitar problemas no futuro. ''A pupila da criança é maior que a do adulto, portanto, a quantidade de ultravioleta que entra nos olhos também é maior. Os efeitos não são imediatos, vão se manifestar após os 40 anos'', avisa o médico. Catarata e degeneração da retina são alguns dos males provocados pela exposição aos raios UV.
Óculos de sol, portanto, não são um brinquedo e tampouco apenas acessórios de moda. São uma proteção cada vez mais indispensável aos olhos e devem ser usados principalmente na praia, piscina, neve e beira de rio. ''Algumas óticas possuem aparelhos que medem a porcentagem de proteção UV. O cliente pode solicitar o serviço na hora da compra'', informa o oftalmologista.
Leonardo Thomaz de Aquino Filho
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