Cabelos brancos não sofrem mudanças em sua estrutura ao perderem a cor. Não são mais fracos e propensos à queda. Segundo dermatologistas, nascem até mais grossos, fortes e rebeldes. Isso porque a melanina, que lhes dava cor, é substituída temporariamente por bolhas de ar.
Os fios perdem a cor por causa da apoptose (autodestruição programada) dos melanócitos, células produtoras da melanina alojadas no bulbo capilar. O ''espaço'' antes ocupado pela melanina é preenchido pelo ar.
''Com o tempo, o cabelo não tem mais diferença em relação ao cabelo pigmentado'', diz o dermatologista Valcinir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo. Já para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Marcio Rutowitsch, ''o cabelo despigmentado não é mais frágil''. Segundo cabeleireiros consultados, os fios resistem bem mesmo à procedimentos mais agressivos, como amaciamentos.
De acordo com dados da Oxford Hair Foundation, entidade inglesa de estudos sobre o cabelo, aos 50 anos, 50% da população em geral tem pelo menos 50% de fios brancos. O processo costuma começar entre os 30 e 40 anos. Mas os dermatologistas não vêem anormalidade no fato de jovens terem cabelos grisalhos.
Há evidências de que a velocidade de embranquecimento dos fios seja diferente nas raças. Aos 45 anos, 80% dos brancos já têm fios brancos. Entre os orientais, aos 50 anos, 80% têm os cabelos grisalhos. Já entre os negros, a mesma proporção da população só tem cabelos brancos aos 55 anos. A diferença, ao que parece, se baseia na distribuição dos melanócitos, influenciada pelo ângulo da raiz do cabelo em relação à pele.
Arrancando os cabelos Cientistas já ''arrancaram'' (os próprios) cabelos, literalmente, para investigar os fios brancos. Foi o caso de Charles-Édouard Brown-Séquard, em meados do século 19. ''Até hoje a medicina não explica 100% deste fenômeno'', diz a dermatologista do Hospital das Clínicas de São Paulo Ana Paula Meschi. Fatores genéticos e hereditariedade podem ser o estopim do processo de embranquecimento. As doenças da tireóide também podem causar o problema. Pessoas desnutridas ganham uma cor amarelada nos cabelos, diz Ana Paula. Em alguns casos de anemia também há alterações.
Estudos recentes mostraram que o fumo e o diabetes, por alterarem a irrigação da raiz, podem levar ao embranquecimento. Há vários registros na história de pessoas que teriam ficado de cabelos brancos por causa do estresse. Seria o caso, por exemplo, da rainha francesa Maria Antonieta que rapidamente teria perdido a cor dos fios ao saber da iminente decapitação.
Segundo os especialistas, é mais provável que tenha ocorrido uma queda abrupta dos cabelos decorrente do pavor. Como os fios brancos recentes são mais resistentes, só eles lhe sobraram na cabeça.
Tintas A única saída para quem não é feliz com seus fios brancos ainda é a tinta. Mas não se iluda. Os produtos transparentes, que prometem ''devolução da cor natural sem sujeira'', também são tinta. E os resultados podem ser muito ruins.
De acordo com os dermatologistas, eles são ''tintas transparentes''. A coloração se dá pelo depósito de metais pesados, que paulatinamente oxidam os fios. Primeiro dão um tom amarelado e depois escurecem o cabelo, mas podem deixar falhas. É como se enferrujassem os fios.
Produtos via oral, que prometem tonificar o cabelo, por enquanto têm resultados desanimadores. Um deles, de origem suíça, tem como base o betacaroteno, percursor da vitamina A. O cabelo branco ganha apenas um tom amarelado. Uma empresa americana percebeu que um gel elaborado inicialmente para acelerar o crescimento de cabelos após o tratamento quimioterápico conseguiu pigmentar novamente alguns fios. Mas a droga ainda está em estudo.
n

mockup