Fimose: a questão é simples; o problema nem tanto
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quinta-feira, 25 de março de 2004
Da Redação 
Todos os meninos, sem exceção, nascem com fimose, película cutânea que recobre a cabeça do pênis. Essa proteção natural ficará presente, normalmente, nos primeiros anos de vida. Desde que não prejudique a eliminação da urina, a fimose não deve ser retirada cirurgicamente até que a criança pare de usar fraldas. Essa é a opinião do médico urologista Valter Honji.
Isso, contudo, não deve servir como um atenuante ao problema. ''Apesar de aparentemente simples, a fimose é um problema que, se não for adequadamente tratado, pode implicar em complicações'', afirma Honji. Sua afirmação tem embasamento tanto científico quanto em programas implantados pelo Ministério da Saúde, nas regiões Norte e Nordeste do País, onde tenta diminuir o número de casos de câncer de pênis causados, principalmente, pela dificuldade que a fimose impõe à higiene pessoal.
Apesar de todos os meninos nascerem com fimose, nem todos precisarão de cirurgia para corrigir o problema. ''A maioria passará por um processo natural, onde essa camada de pele se retrairá'', diz o urologista. Para os que não tiverem essa sorte, a cirurgia poderá ser feita bem depois. ''Por volta dos 15 anos, é uma boa idade para se realizar a cirurgia que, nessa faixa etária, já pode ser feita com anestesia local e envolverá um pós-operatório mais tranquilo'', explica.
Postergar a cirurgia não significa ignorar o problema. ''É preciso que os pais fiquem alertas à questão. Crianças que manipulam muito o pênis ou que reclamam de dores nesta região podem estar com algum problema''. As complicações decorrentes da fimose não detectadas a tempo envolvem infecções na cabeça do pênis ou urinárias. Outro fato que preocupa o urologista são os famosos ''exercícios'' que costumam ser ensinados às mães. ''Não se deve fazer nenhum tipo de retração na camada de pele que recobre o pênis da criança. Isso pode causar sérias complicações como, por exemplo, a parafimose em que a glande não consegue mais voltar para o interior da camada de tecido. Se isso ocorrer, será necessário realizar uma cirurgia de urgência para liberar o pênis''.
De acordo com o urologista, até mesmo os Estados Unidos que por muitos anos defenderam a tese de que a cirurgia de fimose deveria ser feita logo após o nascimento dos bebês, pelos próprios obstetras , reviram suas convicções quanto a prematuridade das cirurgias. ''Uma pesquisa realizada por um médico do Pentágono comparou dois grupos de crianças, filhos de soldados americanos. O primeiro era formado por crianças que foram operadas logo após o parto e o outro, por aquelas que não tinham sofrido intervenção cirúrgica''. O resultado foi surpreendente. ''Constatou-se que a quantidade de complicações nas crianças operadas eram maiores que a do grupo das não-operadas''. Isso incluía desde problemas causados pela anestesia até sangramentos. n


