Fim da rebeldia
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quinta-feira, 10 de julho de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Impossível ver um filhote de cachorro ou gato e não se encantar. A carinha simpática, os olhos grandes e a alegria dos pets levam muita gente a sair das lojas de venda de animais com uma mascote nas mãos. Tudo perfeito se a felicidade da compra não se transformasse em frustração e arrependimento em questão de dias.
Animados com a possibilidade de ter um animal sempre alegre e companheiro, muitos donos se esquecem que os cães e gatos precisam de treino e educação para se tornarem adequados ao convívio com humanos. E não é apenas durante a infância que os animais apresentam problemas. Quando não existe um treinamento adequado, muitos continuam com comportamentos errados mesmo depois de atingirem a fase adulta.
Segundo o adestrador Jeferson Bottini, é comum os donos procurarem ajuda para resolver problemas de mau comportamento em animais já adultos. ''As reclamações mais comuns são que os cães róem as coisas da casa, pulam nas pessoas. O ideal é educar quando ainda é filhote, mas dá para fazer o trabalho com animais adultos também'', afirma.
E muitas vezes quem precisa de treino são os próprios donos dos animais. Isso porque, de acordo com os especialistas, é a atitude das pessoas que acaba gerando maus hábitos em seus animais. ''O cão é um bicho que estava acostumado a viver em uma matilha, onde sempre existe um líder. É fundamental que o dono deixe claro que ele, e não o cachorro, é o líder da casa'', comenta o adestrador Leandro Fugie. ''O principal erro dos donos é humanizar o animal, não impor limites e tratá-lo como se fosse um membro da família'', completa o veterinário Rodrigo Gusmão.
Atitudes simples do dia-a-dia, que muitas vezes parecem sem importância, podem ser interpretadas pelos cães como sinal de submissão dos donos. ''Quando o cão sai para passear, geralmente, o dono permite que ele vá na frente conduzindo o passeio. Isso quem faz é o líder da matilha. Portanto, o cão deve ir ao lado do dono. Outro erro é permitir que os machos urinem em todas as árvores e fiquem farejando o chão, que também são atitudes de líder. Como o cachorro pode fazer tudo isso acha que ele manda. Assim fica difícil obedecer a qualquer comando'', afirma Leandro.
Outra atitude que pode levar os cães a terem comportamento inadequados, principalmente com relação à agressividade, é permitir que o animal ocupe os lugares da família. ''Em muitas casas é comum os cachorros dormirem em sofás e camas. Isso pode deixar o animal agressivo com o dono e com visitas'', diz o veterinário.
Até mesmo nas brincadeiras, certos cuidados são importantes para que os cães entendam seu lugar. ''É normal as pessoas brincarem de cabo de guerra com os cães. O problema é que quando o dono cansa da brincadeira, ele deixa o pano com o animal, que interpreta aquilo como ganho na disputa'', observa Leandro.
''Usar um tom de voz firme, palavras curtas e comandos simples é a melhor maneira de educar um cão. Sempre que fizer algo errado, ele precisa ser punido. Não adianta bater depois, ele não vai entender. Aliás, não precisa bater, basta falar firme ou usar algo que assuste o cão, como barulhos ou água. Por isso, educar um animal requer paciência e tempo'', diz Jeferson.
Segundo o veterinário, escolher uma raça compatível com a rotina da família também é uma atitude que pode evitar problemas futuros. ''Existem raças, como o beagle, o cocker spaniel, que precisam de companhia. Quando estão sozinhos, eles ficam deprimidos e podem desenvolver comportamentos inadequados. Pessoas com pouca disposição devem evitar certas raças. Mas o comportamento de um cão depende 50% de sua raça e 50% do ambiente em que ele vive e como foi criado'', garante.


