Filhos? Não, obrigado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de novembro de 2010
Vivian Fukushima<br>Reportagem Local 
À primeira vista, a arquiteta Evelise Rosseto de Castro, de 35 anos, parece ter seguido o caminho, estabelecido pela sociedade, como tradicional e correto. Estudou, concluiu o curso universitário, arranjou um bom emprego, e vive uma relação estável com o namorado, com quem está há 8 anos. No entanto, a trajetória convencional para por aqui. Enquanto sua mãe teve três filhos, a arquiteta não pretende ter herdeiros. "É uma opção minha e do meu namorado, mas percebo que esta escolha está cada vez mais comum entre os casais", diz.
Evelise conta que um dos motivos da escolha é o ritmo de vida corrido que leva. "Eu gosto desse estresse do dia a dia, de não ter rotina, sair para viajar quando dá", diz. Além disso, a visão que tem sobre família é consequência do exemplo que sua mãe passou aos filhos. "Ela sempre foi uma mãezona, muito presente em nossas vidas. Por isso, acredito que a mãe precisa se dedicar totalmente à criança. Esse negócio de deixar seu filho o dia todo com babás, avós ou tios, não dá certo", afirma.
Embora bastante comum em países desenvolvidos, a opção por não deixar descendentes ainda gera preconceitos no Brasil. De acordo com a arquiteta, frases como "Você está sendo egoísta", "Quem vai cuidar de você na velhice?" e "Se você não puder cuidar, os avós cuidam", são as mais ouvidas por quem ousa tornar pública sua decisão. "As pessoas tentam, de qualquer maneira, me convencer a ter filhos. Elas não aceitam que é uma opção", diz.
E a vontade de não ter filhos, segundo Evelise, parece ser algo que sempre a acompanhou. "Desde criança, quando eu brincava de boneca, e alguém vinha perguntar se ela era minha filhinha, eu dizia que não, que era filha do meu irmão", diverte-se. O tempo foi passando, mas a preferência por cuidar dos filhos dos irmãos ao invés dos próprios, não. "Apesar de não querer filhos, adoro criança e acredito que seria uma boa mãe. Sou bastante paciente e adoro estar com meus sobrinhos", conta, acrescentando que "antigamente, a única realização da mulher era ser mãe. Hoje, ela se realiza com outras atividades também, como trabalho ou lazer. Ser mãe não pode ser visto como uma obrigação, mas uma opção. Algumas nascem para ser, outras não".


