A psicóloga Keila Mello, de 38 anos, é a primogênita de uma família que manteve as crias no ninho mesmo após adultos. Ela conta que sempre teve seu espaço em casa e nunca sentiu pressão dos pais para que saísse. "Sinto essa pressão de amigos, de outras pessoas", explica Keila, que se formou em administração antes de fazer a graduação em psicologia.
Ela diz que não paga para "comer e dormir", mas é responsável por todas as suas despesas pessoais, além de ajudar em casa. "Meu pai não exige, nem nunca exigiu que eu ajudasse em nada, mas isso é uma coisa natural para mim". O caçula da família, Ricardo, de 33 anos, saiu de casa com 31 para experimentar como era morar sozinho. "Ele está casado agora, mas quis ter essa experiência, de ter o canto dele. Minha mãe ficou um pouco ‘tristinha’, mas deu apoio. Eles sempre apoiaram nossas decisões", afirma, ressaltando que não exclui a possibilidade de também morar sozinha.
Lidando diariamente com questões familiares de seus pacientes, Keila ressalta que o importante é a família ter um relacionamento saudável. "Se existir dependência emocional ou financeira dos filhos adultos, isso já é motivo de preocupação. O importante é que os filhos, mesmo na casa dos pais, tenham essa independência, principalmente emocional. Se está havendo desconforto ou a pessoa não sai de casa por medo de não dar conta da situação, é preciso buscar ajuda", observa. (P.B.O.)

Imagem ilustrativa da imagem Filhos dentro da ‘bolsa’
| Foto: Marcos Zanutto
Aos 38 anos, a psicóloga Keila Mello tem independência emocional e financeira dentro da casa dos pais: "Nunca senti pressão da família"
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