Filho único não é sinônimo de egoísmo
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quinta-feira, 25 de março de 2004
Da Redação 
Egoístas, egocêntricos, mimados. Com as devidas exceções, é assim que costumam ser encarados os filhos únicos. A psicóloga e mediadora familiar Graziela Zlotnik Chehaibar, de São Paulo, afirma que esses comportamentos dependem e muito da postura dos pais. ''Essa história de que criar um filho sem irmão o torna mimado é muito relativa. Os pais devem agir com normalidade. Para o bom desenvolvimento de sua personalidade, é essencial que o filho compreenda que, mesmo sem irmão, ele não é o único na vida do casal'', afirma Graziela.
A opção de muitos casais por ter apenas um filho cresceu muito nas últimas duas décadas, principalmente pela maior inclusão da mulher no mercado de trabalho. Já não é apenas o pai que tem pouco tempo disponível. Também influenciaram na opção pelo filho único a queda do poder aquisitivo e a dificuldade de encontrar um bom profissional doméstico, como babá. ''Mas criar um filho único não é um bicho-de-sete-cabeças como parece. Basta sensatez, sem exageros nem de um lado nem do outro'', ressalta a psicóloga.
Segundo Graziela, o fato de as crianças entrarem mais cedo na escola, no máximo com três anos, estimula a socialização. Nela, o filho único aprenderá a conviver com outras crianças, a respeitar os amiguinhos, compartilhar os brinquedos etc. Além da escola, também é importante que os pais estimulem a presença de amigos e parentes (primos ou primas) dentro de casa. Ao compartilhar brinquedos com eles, o filho único desenvolverá a consciência de que não é o dono de tudo. ''É a aprendizagem de dividir, disputar, brigar, fazer as pazes, odiar, amar. Dialogar é essencial. Com a escola e a família trabalhando em sintonia, fica mais fácil afastar a possibilidade de um filho único se tornar uma criança egocêntrica'', completa Graziela.
Bom senso na educação
A psicóloga dá algumas dicas para a criação de um filho único
- Não deixar que ele tenha tudo que quer
- Permitir que ele faça escolhas, como roupas, sapatos, com o objetivo de se tornar independente
- Proporcionar ambientes que permitam a socialização com outras crianças (como colônia de férias, gincanas, férias etc)
- Socialmente, a posição de único deve ser evitada, para que ele não se torne um adulto incapaz de conquistar seu próprio espaço
- Amor nunca é demais, mas os pais não devem confundir amor com superproteção
- Não incentivar o poder e a superioridade do filho com elogios como: você é o melhor filho do mundo
- Pontuar, quando necessário, as vantagens e desvantagens de ser filho único.


