Rosângela Vale
Depender da carona dos pais para sair à noite é coisa do passado. A onda agora é juntar a turma, lotar um transporte coletivo e já começar a festar no caminho
Chega o fim de semana, festa à vista, e é sempre aquele dilema: ‘‘será que o meu pai vai topar acordar no meio da madrugada, ou melhor, no final dela, para me buscar?’’ A maioria dos adolescentes enfrenta a situação com frequência. Sem carteira de motorista, acabam dependendo da disponibilidade e da boa vontade da família, já que aquela providencial carona de final de noite não é bem vista pelos pais. Para as meninas, o problema é ainda pior: muitas vezes, até o taxi está fora de cogitação. O que fazer então? Ficar em casa? Jamais.
A solução encontrada pelos jovens agradou ‘‘gregos e troianos’’. Seguro, confortável e econômico, o meio de transporte oficial entre a garotada que cai na noite agora é uma van. Cabe toda a turma, é divertido e ganhou a aprovação dos pais. Quem oferece o serviço em Londrina é a motorista Iolanda Maria Ogawa, que durante o dia faz transporte escolar e à noite encara qualquer trajeto. Exposição Agropecuária, Oktoberfest, Festa dos Óculos, Festa à Fantasia, Cinema Café... ‘‘Nos reunimos na casa de uma pessoa e ela passa para nos pegar’’, conta Roberta Peixoto Silveira, 16 anos, líder de uma das quatro turmas com quem Iolanda costuma trabalhar. E de quebra, se divertir.
‘‘Ela conversa de igual para igual, é muito ‘‘cabeça’’, está sempre de bom humor e é muito cuidadosa no trânsito’’, elogia Roberta. A simpatia é recíproca: ‘‘Adoro pessoas animadas’’, diz a motorista. Animação é o que não falta no caminho da festa. A moçada leva os CDs, Iolanda aumenta o volume e aí é só alegria. ‘‘Elas cantam, gritam, se esbaldam’’, conta, revelando que no quesito bagunça, os meninos perdem feio. Elas são insuperáveis.
Preço Na hora de cumprir as responsabilidades, entretanto, o comportamento delas é irrepreensível. Horário combinado é horário sagrado. Roberta conta que todo mundo sabe que, se não estiver no local ‘‘de embarque’’ na hora combinada, tem que dar um jeito de ir embora sozinho. Mas, segundo ela, isso nunca aconteceu. ‘‘Deixo um cartão com cada um dos integrantes do grupo. E peço que me devolvam no final. Assim faço o controle’’, revela Iolanda. O preço é mais que convidativo: de R$ 3,00 a R$ 5,00 por pessoa, dependendo do percurso.
‘‘Nos shows, sempre estipulamos um horário para ela nos buscar: 5h. Em festas, quando não sabemos se vai estar legal ou não, preferimos ligar’’, relata Roberta. Iolanda vai para a casa, deita na cama, mas raramente dorme. ‘‘Nem troco de roupa’’, diz. Fim de festa, silêncio quase total no caminho de volta, quebrado apenas na hora de desembarcar, um a um, protegidos pelo olhar atencioso de Iolanda, que não dá partida até que a porta de cada casa se abra e a pessoa entre em segurança. Os pais, é claro, agradecem.
‘‘Antes, era aquela história: ir com o pai de um amigo, voltar com outro. Nem sempre o pai estava disponível e, quando eu buscava, ela tinha que voltar mais cedo, acabava saindo bem menos do que agora’’, constata Devanira Rodrigues, uma das mães ‘‘contempladas’’ com o serviço. ‘‘Agora até consigo dormir quando minha filha sai’’, confessa ela, que não conhece Iolanda pessoalmente, mas bastaram as referências da turminha para que se sentisse absolutamente tranquila. ‘‘É muito bom poder dividir um pouquinho da responsabilidade pelos meus filhos com alguém’’.
Serviço: Iolanda Maria Ogawa – fones: 348-2016/995-3116

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