Férias longe dos pais fortalecem auto-estima
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de julho de 2006
Lola Felix<br> Agência Estado 
Escolher o destino das férias já deixou de ser o principal dilema da pedagoga Tânia Tricta. Atualmente, Tânia quebra a cabeça para decidir se deixa ou não o filho Pedro Henrique, de 11 anos, viajar para um acampamento com alguns colegas do Colégio Santa Maria, onde ele cursa a 5ªsérie.
A mãe diz que tem apenas razões de mãe. Me preocupo com a segurança dele, se ele passará frio, se as beliches são da mesma maneira como aparecem no site do acampamento, enumera Tânia. Já Pedro Henrique diz que ela reluta em deixá-lo sair de férias com os amigos por causa de algumas notas baixas no boletim. A briga, por enquanto, está equilibrada. Pedro, ainda tem um repertório cheio de argumentos. Tânia sabe que precisa soltar mais o filho, mas não consegue deixar de pensar com o coração.
Férias longe dos pais, especialmente se a criança tem mais de seis anos ou seja, se não depende deles para se alimentar ou ir ao banheiro, por exemplo , podem ser uma experiência positiva. A criança volta mais independente, com a auto-estima lá em cima, diz a psicopedagoga Betina Serson. Ela percebe que pode cuidar dela mesma.
A produtora de eventos Christiane de Almeida pensou nisto quando concordou que os filhos Francisco, de 11 anos, e Pedro, de 9, viajassem com a avó e tios para o Pantanal (MT), nestas férias. Assim, eles aprendem a fazer a cama e cuidar das próprias coisas, acredita Christiane.
Não é a primeira vez que ela deixa os dois viajarem sozinhos. No ano passado, eles estiveram em uma colônia de férias organizada pela escola em que estudam.
Na ocasião, Christiane teve um pouco de medo de que Pedro, então com 8 anos, se sentisse inseguro. Mas, no dia permitido aos pais dar uma espiadinha nos filhotes, Pedro dispensou a visitinha da mãe. O único medo, agora, é que as crianças dêem trabalho à avó, de 67 anos. Já estou fazendo uma preparação intensiva para que não briguem entre eles.
Conversar com os pais dos colegas com os quais seu filho está indo viajar, segundo Betina, é mais fácil do que simplesmente dizer não. Toda vez que você disser não para a criança, ela perguntará o porquê. E segurá-la em casa poderá privá-la de experiências interessantes com pessoas e hábitos diferentes, diz a psicopedagoga. Por isso, conversar com pais de colegas pode ajudar muito.
Betina aconselha acampamentos e colônias de férias somente se a criança tiver mais de seis anos e se ela for acompanhada de amigos da escola. Caso contrário, a experiência poderá ser desagradável e, nas próximas férias, ela poderá se isolar ainda mais, alerta.
Se o seu filho quer viajar com os amigos e o não for a resposta definitiva, é preciso estabelecer um ambiente de convivência pacífica com a criança. Sócia-diretora da Escola Lourenço Castanho, Sylvia Gouvêa dá duas para pais que terão de conviver com os filhos durante as férias:
Se a criança tiver de abrir mão de uma viagem com os colegas de escola para viajar com os pais, é preciso tentar aproximar a criança da família. Durante os passeios, siga o interesse do seu filho, deixando-o explorar suas descobertas, estimulando sua curiosidade e sua capacidade de observação, diz Sylvia.
Estimular o diálogo é sempre importante, para que o filho não se sinta isolado e ainda mais contrariado. Mostre que a companhia dos pais também pode ser enriquecedora e interessante nas férias.


