Férias em casa sem estresse
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quinta-feira, 13 de julho de 2006
Lola Felix<br> Agência Estado 
Mateus avança pela direita e lança a bola para Lucas, que penetra na área, dribla o goleiro Erick e abre o placar. O público, no estádio, explode. Esta seleção é formada por garotos de 5, 11 e 17 anos, respectivamente. E, ao invés da bola cair no gramado, ela vai quebrando todo o artesanato de Christine Matos, mãe dos três craques do futebol de apartamento.
O jogo é uma maneira dos três driblarem o tempo quando não podem sair de casa. É provavelmente assim que irão passar as férias escolares. Christine e o marido, o engenheiro Ewerson Matos, não poderão viajar nos próximos dias. Recém-chegados de Recife, passarão o mês de julho trabalhando. Matos, fora de casa; Christine, que trabalha como jornalista freelancer, vai ficar em casa, ao lado dos filhos. ''Até financiamos a vinda da namorada do mais velho aqui para São Paulo. Assim, acalmamos os ânimos dele'', diz ela enquanto um menino grita no fundo. ''Isto aqui é uma amostra da situação'', conta Christine.
Como se não bastasse ter de lidar com suas dores de cabeça, Christine também precisa administrar a dos outros. No caso, a do vizinho de baixo, que reclama quando o trio de craques chuta forte demais. Nos últimos dias, já foram três reclamações. Do artesanato que a jornalista havia trazido de Recife, restam poucas peças.
''É preciso conversar sobre o que pode e o que não pode ser feito dentro de casa'', diz a psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano. ''Antigamente, as crianças não ficavam o dia inteiro na rua, ficavam dentro de casa sem tevê, vídeo, games e nem por isso a destruíam.'' Ana Cássia sugere que os pais convidem amigos dos filhos para assistirem a um filme em casa, ou os levem para o cinema. Outra boa opção para os pais que não querem ter o mobiliário destruído nas férias são os cursos oferecidos por algumas escolas.
''Brincar entre crianças de idades próximas, em um espaço adaptado ao interesse delas, é mais agradável do que estar apenas na companhia de adultos'', diz a coordenadora pedagógica Maria Rocha. Muita criança, no entanto, prefere ficar em casa. Beatriz e Isabel, de 12 e 17 anos, já estão acostumadas a não viajar em julho. Nos últimos oito anos a mãe delas, a psicóloga Débora Rodrigues, teve de ficar em casa. ''Converso muito com as duas no dia-a-dia e elas sempre aceitaram meu trabalho. Às vezes, elas escolhem ficar em casa nas férias'', diz Débora.
Com os amigos - Beatriz diz que incomoda um pouco ficar em casa o mês inteiro, mas ao mesmo tempo sabe que os pais ficarão felizes trabalhando. ''Tento sair ganhando também. Chamo minhas amigas para conversar, descanso'', diz ela. Sua irmã, Isabel, também gosta de chamar os amigos e primos para sair. ''Vamos para a casa da minha avó ou ficamos na piscina. Já estou acostumada'', conta.
Para Ana Cássia, muitas vezes são os próprios pais que têm a necessidade de sair de casa. ''Eles trabalham 24 horas por dia e claro, querem muito mudar de ambiente. No final das contas, acabam acreditando que os filhos estão implorando para viajar'', diz. ''Mas a criança gosta muito de ficar em casa, com seus brinquedos.'' Ana, que atualmente escreve um livro no qual aborda aspectos relacionados à estimulação cultural da criança, as férias podem ser usadas para se criar o hábito da leitura entre os pequenos. ''Além de ocupar a criança, é uma atividade que desenvolve seu intelecto'', diz.


