Férias, e agora?
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2003
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
O final do ano está chegando e, com ele, as férias escolares também. Esse deveria ser um momento de descanso para as crianças, mas, o excesso de atividades e a escolha errada do que as crianças vão fazer nesse período acabam por transformar o que seria uma festa em uma época traumática e pouco aproveitada.
De acordo com a psicóloga Kellen Martins Escaraboto, especializada em clínica de crianças e adolescentes, as férias deveriam ser utilizadas para que as crianças passassem mais tempo com os pais e com a família. ''Com os dias cada vez mais tomados de atividades, poucas famílias conseguem se reunir e passar um tempo se ocupando com o lazer. As férias são um ótimo período para que pais e filhos se divirtam juntos'', afirma. Principalmente para os pequenos, a participação dos pais durante atividades nas férias é fundamental. ''Essa presença é muito importante para a criança se sentir amada e saber que os pais querem sua companhia'', avisa. Uma sugestão é que pelo menos um dos pais tire férias no mesmo período dos filhos por uma semana ou mais.
O grande problema é que os pais imaginam que esse convívio não é agrádavel às crianças e acabam optando pelas colônias de férias, acampamentos e excursões. Kellen afirma que essas atividades são uma boa opção, mas devem ser agradáveis para as crianças. ''A escolha por colônias ou locais parecidos deve ser discutida com os filhos. Para os menores de cinco anos não são muito aconselháveis, por significar uma distância dos pais à qual os pequenos não estão acostumados. Para essa faixa etária, o ideal é que as atividades durem apenas um dia. Somente a partir dos 11 anos é possível mandar os filhos para passeios de longa duração'', ensina. A psicóloga relata casos de crianças que apresentaram problemas de saúde e psicológicos por causa de atividades de férias mal planejadas.
Fique de olho Além do período de duração, outros detalhes devem ser observados para garantir a diversão da garotada. Os pais devem estar atentos às atividades realizadas com as crianças, o local onde o grupo vai ficar, se há uma separação entre crianças pequenas e grandes e o número de instrutores por criança. ''Muitas atividades por um período longo cansam. Não é esse o objetivo das férias. A idéia é que os pequenos se divirtam e descansem também'', alerta.
Cursos e atividades extra-escolares também devem ser evitados no período de férias. Segundo Kellen, esportes que agradam às crianças podem ser mantidos, mas aulas particulares, reforço escolar e cursos não são boas opções para o tempo de descanso. ''Férias devem ser sinônimo de lazer. Se o esporte traz isso para o filho, ele pode ser mantido, mas obrigações sérias devem ser evitadas para não estressar'', comenta.
E não é preciso ter muito dinheiro para garantir a diversão dos pequenos. Kellen afirma que muitos pais gastam altas quantias em dinheiro com atividades caras e que não agradam aos filhos. Muitas vezes, o que eles querem é mais simples e barato do que os pais imaginam. ''Ir ao parque, clube, cinema, são atividades baratas e que raramente os pais fazem com os filhos. Brincadeiras antigas, como pular elástico, corda, amarelinha, soltar pipa também são fáceis e muito divertidas para as crianças'', diz. Para os pais que precisam trabalhar, um dia na casa dos avós ou tios pode ser útil e divertido também.
Estresse O principal, segundo Kellen, é organizar o dia da criança sem sobrecarregá-la de atividades. Ela afirma que crianças, principalmente as menores, precisam de rotina e de alguém que tome decisões por elas. Muitas delas ficam estressadas nas férias pela desordem e incerteza das atividades. É importante que os pais se disponham a fazer coisas junto com as crianças e as incentivem a sair da frente da televisão e do videogame (ver box). ''Mesmo que os filhos não queiram a companhia dos pais, fato comum na adolescência, é fundamental que eles saibam que os pais estão dispostos a passar um tempo com os filhos se eles quiserem. Isso passa o sentimento de que os pais se importam e gostam da companhia deles'', ensina.
Muitas crianças se sentem desmotivadas em ir a clubes e parques ou outros passeios simplesmente porque os pais não vão junto. Nesse momento é importante que os pais insistam nas atividades recreativas e se disponham a participar delas. ''Melhor do que dar aos filhos o que fazer, é interagir com eles e aproveitar as férias para se conhecer melhor'', recomenda Kellen. n


