Felizes para sempre
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quinta-feira, 11 de junho de 2009
Erica Shimamura<br> Reportagem Local 
Casamentos duradouros são cada vez mais raros em tempos modernos. Mais difícil ainda é saber de histórias de casais que depois de décadas juntos se dizem felizes.
Ruth, 70 anos, e José Guidugli, 71, são um exemplo de uma longa convivência de amor. ''Casamos em julho de 1962, e parece que foi ontem'', lembra ela. A história do casal começou em 1956, na época em que estudavam no Colégio Londrinense, ela com 17, ele com 18. Iniciaram um namoro nos moldes antigos, o que significava conhecer primeiro as respectivas famílias e ''não adiantar as coisas'', conta Ruth. ''Procurar saber como ele agia com os pais para saber se seria carinhoso comigo'', revela. ''Em um relacionamento, a mulher tem de pensar mais''.
Apesar da pouca idade, Ruth já demonstrava saber o que queria desde cedo. Na opinião dela, o homem certo para manter um relacionamento duradouro deve reunir características bem definidas. ''Ele deve ser cristão, honesto e trabalhador. Tendo isso, você tem tudo. Quem busca riqueza e fama em um casamento não será feliz'', reflete.
Em seis anos de namoro, tiveram um um rompimento, porém, quando reataram o namoro decidiram se casar. No ano seguinte viveram a alegria do primeiro filho. Logo vieram mais três filhos. Ruth, que começou a trabalhar aos 12 anos em uma farmácia, depois de casada decidiu continuar trabalhando fora de casa. Como funcionária do extinto Instituto Brasileiro do Café, Ruth trabalhava na divisão de protocolos e arquivos, pela qual se aposentou. José Guidugli começou a vida profissional como bancário, empreendendo mais tarde no setor de aquecimento e refrigeração. No entanto, o cotidiano atribulado do casal não abalou o romantismo ao longo de 47 anos de vida em comum. ''Desde o primeiro dia de casados nunca saí para trabalhar sem dar um beijo nela pela manhã'', declara José.
Mas como nem tudo são flores numa relação a dois, os conflitos também fizeram parte dessa história. As brigas e desentendimentos foram resolvidos com um acordo, proposto por Ruth. ''Quando José estava bem tenso, eu deixava ele falar tudo o que queria, colocar todo o 'nervoso' para fora. Depois, eu desabafava os meus problemas'', confessa Ruth. Na opinião dela, as discussões fazem o casal amadurecer, mas é bom evitar as brigas na frente dos filhos. Para José, amor, fidelidade e respeito não devem faltar jamais em um casamento.
Ruth e José Guidugli vivem hoje a tranquilidade dos que batalharam a vida inteira para realizar seus sonhos. Os dois estão aposentados, mas José continua trabalhando na empresa em que passou boa parte da vida, agora ao lado dos filhos. Ela aproveita a fase para curtir a família e os netos.
''Hoje é só festa. Meus quatro filhos estão casados e todos são pais amorosos. Tenho sete netos lindos. Minha neta mais velha completou 16 anos recentemente'', derrete-se.
Adventistas do 7º Dia, a religião está bastante presente na vida do casal. Todos os sábados pela manhã eles frequentam o culto e fazem suas orações. ''A religiosidade traz felicidade e união para a família'', comemora Ruth.


