Feliz Natal ou feliz aniversário?
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Paula Barbosa Ocanha<br>Reportagem Local 
Nascer em dias festivos ou datas extremamente comerciais pode se tornar um transtorno quando o assunto é a comemoração. Enquanto todos estão correndo para organizar as festas ou viagens de férias, tudo o que você queria era reunir os ocupados amigos para uma festa de aniversário sem sucesso. Mais do que outras datas comemorativas, para alguns, nascer no dia 25 de dezembro e ter que dividir a comemoração e atenção de todos com uma data tão tradicional como o Natal pode gerar o sentimento de "sair perdendo". O problema pode ser pior na infância, quando as crianças recebem só um presente "de Natal e aniversário" dos pais ou familiares.
Mas nem todas as pessoas levam este fato para o lado negativo. Prova disso é a empresária Quinha Canezin, que não demonstra nenhum trauma ou ressentimento de infância quando o assunto é o dia do nascimento.
Na família de Quinha, as datas sempre foram comemoradas de forma independente. "Minha mãe deixava a comemoração do Natal para o dia 24, na tradicional ceia, e no dia 25 o foco era meu aniversário. Ela chamava minhas amiguinhas à tarde e eu sempre ganhei dois presentes", conta. Ela é a caçula de quatro irmãos, com bastante diferença de idade, e conta que sempre foi "paparicada" pela família.
Quinha, que completa 63 anos no próximo dia 25, afirma que gosta de reunir a família na véspera de Natal, fazer uma ceia para que todos possam confraternizar e trocar votos à meia noite. No entanto, ela continua a tradição da mãe, de comemorar seu aniversário no almoço do dia seguinte. "Eu me sinto privilegiada por ter nascido no dia do Natal. É uma data tão especial, independentemente de crença ou religião. É para poucos", frisa.
Ela confessa, no entanto, que uma de suas frustrações foi nunca ter conseguido fazer uma festa de aniversário, mesmo depois de adulta. "Não acho interessante comemorar antes da data, quando estão todos mais tranquilos. E no dia estão todos com a família, comemorando ou viajando. Depois começa a correria e o pique de comemoração de final de ano. Nunca dá certo. Resta comemorar com a família, mas é sempre uma data muito feliz." Ela conta que mesmo que amigos a visitem no dia do aniversário, eles já comeram tanto em casa que nunca aceitam bolo ou salgados oferecidos por ela. "No máximo posso oferecer um chazinho no fim da tarde para melhorar a digestão", brinca.
Grande festa
A arquiteta Ana Elisa Tamarozi Felipe também vai comemorar o 40º aniversário no próximo dia 25 em uma viagem com o marido e os três filhos uma das vantagens de ter nascido em época de férias. Segunda filha de uma família com quatro irmãos, ela conta que na infância "adorava o aniversário" justamente porque todos estavam reunidos e felizes. "Como venho de família religiosa praticante, nascer no mesmo dia que Jesus nasceu é uma benção. Cresci indo à missa do Galo todos os anos e meus avós, principalmente os paternos, faziam muita questão de ter a família toda reunida neste momento", lembra.
Em relação à comemoração do aniversário, ela ressalta que a reunião contava sempre com a presença de 24 primos. "Imagina a festa?". Ela conta ainda que outra prima comemorava o aniversário no mesmo dia e um tio na véspera. "Nunca me incomodei de as pessoas também ganharem presentes no dia do meu aniversário porque eu ganhava dois, quando merecia, é claro", brinca. Apesar de gostar de reunir a família para a comemoração do nascimento, ela conta que só teve duas festas de aniversário "de verdade", de 15 e 30 anos. "Na infância, nunca consegui comemorar na escola. Minhas duas festas de verdade, onde além de parentes estavam meus amigos, foram feitas no dia 20 de dezembro, e avisei os convidados com antecedência", diz.




