Felicidade a dois
O advogado Marcio Niero, de 56 anos, e a esposa Silvia Niero, de 52, estão casados há 28 anos e ainda aproveitam a vida como se fossem um casal de namorados. Como não tiveram filhos, os dois viajam uma média de três vezes por ano, gostam de ir a restaurantes e bares e hoje curtem bastante os sobrinhos-netos e as crianças "dos outros" sem toda a preocupação e responsabilidade que pais precisam ter. Não serem pais não foi uma decisão tomada assim que casaram, mas o tempo foi passando e no momento da decisão ambos concordaram que não teriam herdeiros. Eles garantem que não se arrependem da decisão. "Realmente não foi planejado. Quando vimos tinha passado o tempo, e hoje não consigo me imaginar com filhos. Eu adoro meus sobrinhos, minha mulher adora crianças, mas não era para a gente", ressalta ele.
Inicialmente eles queriam esperar por conta da estabilidade financeira. Sendo advogado, Marcio conta que se preocupava em ser pai antes de consolidar a profissão. "Essa é uma preocupação porque quando você tem filhos sua vida muda. Não digo que muda para pior, ou para melhor, mas ela muda mesmo que você tenha condições financeiras." Outro "empecilho" para terem crianças no início da vida de casados eram as constantes viagens. "Sempre gostamos de viajar, e quando casamos íamos muito para Salvador, já que a família da minha esposa é de lá. Com tudo isso o tempo foi passando mesmo", lembra ele. A pressão por engravidarem, no entanto, foi sentida. "Minha mãe pedia muito um neto, mas eu não teria um filho porque ela pediu. Vejo que muitos jovens cedem à pressão da família mesmo sem querer ter filhos", diz Marcio. Apesar de serem feliz somente como casal, ele afirma que "não faz apologia" à vida sem crianças. "Nunca digo que é melhor, ou pior. Só foi nossa decisão", resume.
Para Silvia, a pressão da família e dos amigos passou "despercebida". "Quando tinha 32 anos meu médico disse que era hora de ter o primeiro, se eu quisesse ser mãe. Eu disse que não queria, o Marcio concordou e foi muito tranquilo. Nunca me arrependi", conta. Ela garante que a vida sem crianças permitiu que a estabilidade financeira chegasse antes e as viagens ocorressem com mais frequência. "Como ele é advogado conseguimos viajar fora de época de férias, o que não seria possível com filhos. E você precisa dar o melhor quando decide ter uma criança, porque ela não pediu para nascer. E tudo é muito caro", avalia. Apesar de não ter filhos e, consequentemente não ser avó, ela conta que se realiza com os sobrinhos netos. "Tenho três meninos e uma menina, de sete meses. Sou apaixonada por eles", conclui. (P.B.O.)





