Feito gente grande
Angela Raizer Barbosa
Em tempos de precocidade no visual infantil, em que garotinhas vaidosas querem se vestir e maquiar como mulheres adultas - e as grifes de vestuário e cosméticos investem pesado nesse segmento - volta à tona um problema que não é novo: a puberdade precoce, que afeta meninas e meninos, com maior incidência no sexo feminino. Segundo a endocrinologista pediátrica Sandra Marcantonio, que falou sobre o assunto em palestra realizada nesta semana no Hospital Evangélico, reunindo médicos e residentes na discussão do tema, a puberdade precoce é assim definida quando acontece antes dos 8 anos de idade, nas meninas, e antes dos 9, nos meninos. O sintoma mais evidente é o aparecimento de caracteres sexuais secundários - mamas nas meninas e pêlos pubianos em ambos os sexos. Outro sinal característico é o crescimento muito rápido da criança nessa faixa etária.
A endocrinologista assegura que a puberdade precoce sempre existiu, não é um problema dos tempos modernos. A incidência é que está um pouco aumentada, não se sabe a causa. Talvez porque os pais estejam mais informados e atentos, procurando orientação médica quando percebem transformações físicas precoces nos filhos. Outra teoria, não comprovada, especula que hoje existe muita estimulação visual - revistas, novelas, filmes - o que colabora para o amadurecimento de centros específicos do sistema nervoso central.
Diagnóstico e tratamento Não existe prevenção para a puberdade precoce - quando surgem os sinais, ela já está instalada. Mas a partir do momento em que é diagnosticada, é iniciado um tratamento para retardar o crescimento ósseo e os outros sintomas. Através de medicamentos bloqueia-se a maturação esquelética até que esta fique compatível com a idade cronológica, aumentando o período de crescimento e preservando a estatura final, afirma Sandra Marcantonio. Os exames que detectam o problema são Raio-X das mãos e punhos e dosagem hormonal. Nas meninas, em mais de 75% dos casos, não é possível identificar as causas da puberdade precoce, ao contrário dos meninos em que, na maioria dos casos, existe uma problema patológico determinante, acrescenta.
A puberdade precoce pode ser de causa central ou periférica, e o tratamento é diferenciado para ambos os casos. A endocrinologista explica que a puberdade precoce central, ou verdadeira, surge quando ocorre o amadurecimento de centros específicos do sistema nervoso central, que estimulam a produção de hormônios. Já a periférica, ou pseudo-puberdade precoce, aparece quando essa produção de hormônios sexuais independe de estímulos centrais.
O tratamento pode durar alguns anos, dependendo da idade em que surgiram os sintomas. A endocrinologista afirma que a medicação, quando bem indicada, é segura e não causa efeitos colaterais, pois sua fórmula contém substâncias idênticas àquelas produzidas pela nosso organismo. Ela observa que outro objetivo importante do tratamento está ligado ao aspecto emocional, pois a puberdade precoce não tem o poder de amadurecer a criança que sofre essa transformação física. É uma criança com corpo de gente grande, completamente despreparada para o mundo adulto, diz. -
Menstruação Geralmente, o início dos sinais puberais normais acontece depois dos 9 anos (meninas) e dos 11 (meninos), mas a faixa de variação é muito grande. Os especialistas garantem que nas meninas os sinais da puberdade e menstruação acontecem cedo mesmo. A menstrução, que no século passado começava em média aos 16 anos, agora tem início aos 12. Para o ginecologista Eduardo Tomioka, professor da Universidade de São Paulo, é o ambiente interferindo na biologia.
A endocrinologista Sandra Marcantonio observa ainda que quando as transformações físicas surgem antes de 9 e 10 anos, em meninas e meninos, respectivamente, acontece a chamada puberdade adiantada. Ela é bem mais comum que a puberdade precoce, mas não é alarmante. Na maioria dos casos, só é necessário um acompanhamento médico, no sentido de detectar se a maturação esquelética está ocorrendo compatível com a idade cronológica, complementa.A puberdade precoce atinge meninas e meninos antes dos 8 e 9 anos, respectivamente, provocando o surgimento de caracteres sexuais secundários
ReproduçãoNas meninas, em mais de 75% dos casos, não é possível identificar as causasArquivo FolhaA endocrinologista Sandra Marcantonio afirma que a medicação que trata do problema, quando bem indicada, é segura e não causa efeitos colaterais





