Mais frequente na infância e na adolescência, a febre reumática é tida como uma das principais causas de problemas cardíacos nesta faixa etária. A doença é provocada por uma infecção transmitida pela bactéria estreptococo beta-hemolítico. Devido aos transtornos provocados pelo mal, a Sociedade Brasileira de Reumatologia deu início, no último dia 30, à campanhas nacionais de conscientização. ‘‘O maior perigo da doença é a falta de conhecimento’’, alerta José Roberto Provenza, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia.
A contaminação pela bactéria ocorre por vias aéreas, através da saliva ou do ar. ‘‘A situação se complica no inverno, quando as pessoas costumam ficar mais tempo em ambientes fechados’’, observa. A febre reumática é caracterizada pela infecção da garganta, geralmente amigdalite. ‘‘Esses sintomas são facilmente confundidos com uma gripe ou resfriado. Mas as mães devem ficar atentas porque o que pode parecer uma simples irritação na garganta, pode ser, na verdade, a sinalização da febre reumática’’, diz Provenza.
No entanto, a doença só evolui em crianças com predisposição genética. Em contato com a bactéria, o organismo começa a fabricar anticorpos que acabam reagindo cruzadamente com substâncias protéicas da válvula cardíaca, provocando sua inflação. Depois de duas ou três semanas, os sintomas começam a aparecer. ‘‘Normalmente, os doentes reclamam de falta de ar, cansaço e até mesmo a apresentar um quadro de insuficiência cardíaca, o que clinicamente chamamos de sopro cardíaco’’, verifica. Esses sinais, completa, só surgem após a agressão da válvula cardíaca.
Além de agredir o coração, os anticorpos podem prejudicar também as articulações. ‘‘O quadro de dor articular, na maioria das vezes, é passageiro e não provoca deformidades. Em alguns casos, após a evolução de dois a três meses, a criança poderá ter ainda consequências neurológicas, a chamada coréia’’, frisa Provenza. A coréia é responsável por movimentos involuntários e incoordenados de mãos e pés. ‘‘É a principal manifestação neurológica e de aparecimento tardio. Outro reflexo da doença são nódulos subcutâneos e manchas avermelhadas na pele’’, destaca.
‘‘Geralmente’’, afirma Provenza, ‘‘a criança chega ao consultório do reumatologista queixando-se de dores nas articulações. ‘‘Neste estágio, ela já passou pela primeira fase da febre reumática. E, provavelmente, a mãe ‘mascarou’ os sintomais iniciais com antibióticos ou antiiinflamatórios, sem ao menos consultar um médico. Infelizmente, muitas crianças ainda são medicadas num balcão de farmácia’’, comenta. Entretanto, a infecção na garganta pode passar despecerbida até da própria mãe, quando os sintomas são muitos sutis. ‘‘Conseguimos descobrir isso questionando e fazendo um histórico do dia-a-dia do paciente’’. Segundo o especialista, há muita desinformação sobre a doença.

mockup