Fazer o bem faz bem
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quinta-feira, 14 de abril de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
O desafio de Páscoa de Renata Tkotz, 16 anos, e Isabela Bordin, 15, foi ainda maior este ano. Participantes do grupo solidário Ação e Vida, do Colégio Universitário, as duas já sabiam que arrecadar bombons para entidades da cidade seria mais difícil desta vez. É que nos anos anteriores a tarefa fazia parte de uma gincana valendo nota.
Mas nada que garra e disposição não resolvessem. E, no final, a surpresa. Ao contabilizar as doações dos colegas, descobriu-se que o saldo tinha sido igual ao do ano passado. Nove mil bombons foram distribuídos pelo grupo para cerca de 1.200 crianças carentes. Pela cara de satisfação das garotas, fazer o bem realmente faz bem. ''Ver a felicidade daquelas crianças é muito bom'', conta Isabela Canezin, 16 anos, que no ano passado foi uma das responsáveis por todo o agito solidário do colégio, ao lado de Bruna Terra, 16.
Como estão no terceiro ano e se preparam para o vestibular, a dedicação às campanhas precisou diminuir, a contragosto das garotas. Até por isso, quem sempre fica com a liderança do grupo Ação e Vida são os alunos do segundo colegial, caso de Renata e Isabela. A idéia do colégio é divulgar o conceito de solidariedade entre os alunos. Nada melhor que ter a ajuda dos próprios alunos para isso. ''O diálogo entre a gente é mais fácil'', entende Isabela Canezin.
Além da Páscoa, o grupo propõe campanhas de inverno, Natal e Dia das Crianças. Além disso, está sempre em contato com entidades da cidade para saber quais são as necessidades, já que muitas vezes não é só de alimentos que precisam. No ano passado, Isabela e Bruna conseguiram colchões para algumas famílias. ''Se todos vissem a reação das pessoas que recebem iam querer doar mais'', lembram as amigas.
Para a dupla, o colégio deveria levar todos os alunos para as visitas. Claro que elas sabem que isso é quase impossível. Até porque nem todo mundo faz da solidariedade um objetivo sério como as meninas. ''No começo do grupo, quando a gente pode deixar a aula para passar em outras salas, todo mundo quer participar. Depois, quando tem que ficar à tarde para empacotar os bombons, distribuir, o povo some'', dizem as quatro garotas, que também não reclamam de ter que apertar a agenda.
''Se cada um fizer um pouquinho, vira bastante'', dizem. E elas acreditam mesmo, tanto que fazem a sua parte. ''Solidariedade não é só o ato, é um processo constante. Tem o antes, o durante e o depois,'' ensina Bruna. Mesmo com as preocupações pré-vestibular, ela e Isabela Canezin já estão na comissão organizadora de um workshop solidário entre os colegas. ''A gente faz o que pode'', explica Isabela.
No final do bate-papo com as garotas, a constatação: onde estão os meninos? ''A mulher é mais sensível mesmo'', avisa Bruna. Garotos nos grupos solidários são sempre minoria. ''Um ou dois numa turma de 10'', contabilizam.


