Fantasiar ou não? Eis a questão
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Herika Fondazzi<br> P<br> Reportagem Local 
A arquiteta Ana Paula Brunetto vem de uma família onde as fantasias de Natal sempre foram valorizadas. ''Desde pequena, minha avó e minha mãe me contavam histórias de Papai Noel e eu acreditava'', lembra. Hoje, ela transmite as mesmas lendas para a filha, Sofia Brunetto Tramonte, 7 anos. ''Acho importante para prolongar a infância dela e manter a fantasia típica dessa fase. Mas não deixo de falar dos valores cristãos, de Jesus Cristo'', afirma.
Mesmo agora, fase em que Sofia começa a desconfiar da veracidade do bom velhinho, Ana Paula continua tentando manter a fantasia. ''Alguns amiguinhos dela já não acreditam mais e falam para ela que é mentira. Mas eu continuo confirmando que é o Papai Noel quem traz os presentes. Sei que chegará a hora que meus argumentos não vão mais funcionar e ela vai deixar de acreditar naturalmente. Mas enquanto eu puder manter isso, vou fazê-lo'', garante.
Mãe de Laura, 4 anos, a organizadora de eventos Camila Mayrink Goes não faz questão de alimentar a fantasia da filha em torno do Papai Noel. ''Laura acredita que ele existe porque os apelos do bom velhinho estão por toda parte. Este ano, ela escreveu uma cartinha para o Papai Noel na escola, pedindo uma bicicleta, e tem certeza que o presente será entregue por ele na noite de Natal'', revela. Para Camila, o mais importante é transmitir os valores religiosos. ''Eu procuro passar o sentido cristão da data, contando a história do nascimento do Menino Jesus e enfatizando que no dia 25 de dezembro festejamos o seu aniversário. Inclusive vou dar outro presente para Laura no Natal, e ela vai junto para escolher e saber que sou eu que estou dando e não o Papai Noel. Acho que meu relacionamento com ela não pode ter mentiras'', diz Camila.
Segundo a psicóloga Cida Schaefer, a fantasia faz parte da vida e do desenvolvimento das crianças e pode ser mantida pelos pais sem problemas. ''Até por volta dos seis anos de idade é normal a criança acreditar no mundo fantástico. Inclusive esses personagens todos são muito reais na cabeça dos pequenos. Com o Papai Noel se transmitem valores de amor, compaixão, e isso é muito vantajoso. Quando eles começam a frequentar a escola e sera lfabetizados, essa fantasia vai desaparecendo naturalmente'', garante.
Nesse momento, a especialista aconselha os pais a falarem a verdade para os filhos, explicando a origem de Papai Noel. ''A história de São Nicolau também é muito bonita e vale ser contada para as crianças. Os pais podem dizer para os filhos que eles acreditavam em Papai Noel porque eram crianças. A criança não vai achar que foi enganada, que os pais mentiram, porque na verdade não era uma mentira, mas apenas uma forma de tornar a data mais mágica, mais bonita. Não existem traumas na descoberta da verdade'', afirma Cida.


