Conscientizar as crianças sobre o fato de que seus sonhos podem se tornar realidade e que em toda realidade existe também boa parte de fantasia é uma atitude importante.
Segundo a psicanalista Fernanda Cristina de Oliveira e Silva, fantasiar faz parte do processo de desenvolvimento das crianças e muitas vezes é disto que o indíviduo lança mão para garantir sua saúde mental.
''Durante a infância temos o privilégio de experimentar o fantasiar quase que na mesma intensidade das outras vivências do dia a dia, o que nos permite observar que as crianças transitam entre a fantasia e a realidade como se uma fizesse parte da outra, e num tempo de vida inicial de fato assim vivenciam'', esclarece.
Fernanda salienta, porém, que mesmo na nossa cultura existem pessoas que não compartilham da ideia de que devemos alimentar este tipo de crença. ''Ouvi certa vez de uma mãe que achava que estaria mentindo a seus filhos se sustentasse essa crença, e temia que isso pudesse abalar a confiança deles em relação a ela, então optava por não alimentar a crença do coelhinho da Páscoa'', conta.
Neste caso, indica a psicanalista, mais importante que alimentar a fantasia é que este processo esteja de acordo com a cultura da própria família. ''Fantasiar é natural nas crianças, mas existem também outras formas de os adultos colaborarem com suas crenças familiares. Não trata-se de uma mentira (no caso do coelhinho), mas sim de uma crença que já faz parte da nossa cultura popular, está inserida no nosso contexto'', diz.
E como agir quando a criança passa a questionar se o coelho da Páscoa existe mesmo? Segundo Fernanda, isso começa a acontecer por volta dos 6 anos de idade e os questionamentos indicam que ela está mudando de fase e que seus recursos intelectuais estão mais aguçados.
''Então está na hora de deixá-la fazer suas descobertas em relação à realidade, e não mentir. Ou seja, devemos deixar as crianças fazerem esta descoberta. Caso haja irmãos que ainda acreditam, as crianças devem ser orientadas a deixá-los descobrir sozinhos'', afirma Fernanda. (E.S.)

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