Foi-se o tempo em que futebol era "coisa de homem". Cada vez mais as mulheres têm demonstrado interesse pelo esporte e se mostrado tão fanáticas quanto à ala masculina. Em poucos dias, quando as atenções estarão voltadas para a Copa do Mundo, várias mulheres que gostam e levam o futebol a sério prometem acompanhar cada passo da Seleção. A veterinária Kelly Renata Bertassoni, de 26 anos, é uma delas. "Estou bastante ansiosa e preocupada. Preocupada por tudo o que está acontecendo no País e ansiosa pelos jogos e o desempenho da Seleção", diz.

Apaixonada por futebol, Kelly conta que começou a torcer por influência do avô. "Ele era são-paulino roxo e eu desde pequena lembro de torcer para o São Paulo." Apesar do time do coração, ela deixa a rivalidade de lado pela Seleção. "Tenho muitos ídolos por causa da Seleção, como o Marcos, o Ronaldo e o Neymar", diz. A identificação com o esporte também vem da família. Quando pequena, Kelly colecionava, junto com o irmão, os álbuns de figurinhas da Copa. "Temos todos desde 1994."

A Copa do Mundo de 1994 também foi um marco na vida da arquiteta Melyne Zavatto Berbel, de 32 anos. "Minha admiração e respeito pelo futebol surgiram ali. Via pela TV e decorava a escalação dos jogadores", conta. Única flamenguista em uma família palmeirense, o time do coração também foi "eleito" devido à campanha do tetra. "O Romário me chamava atenção, então passei a vê-lo no Flamengo."
A funcionária pública Aline Chalegre, de 25 anos, diz gostar de futebol "desde sempre", mas considera a Copa de 1994 como o ponto de partida da sua relação com o esporte. "Foi a minha primeira Copa e tenho aquele momento muito claro na memória. Muito mais do que em 2002, na conquista do penta, quando já era mais velha", lembra. Torcedora do São Paulo, Aline também se diz ansiosa pelo mundial e garante estar confiante na conquista do hexa. "Gostei da escalação. Acho que se repetir o trabalho da Copa das Confederações tem muita chance de ganhar", torce.
O entendimento sobre futebol surpreende até os amigos de Aline. "Uma vez estava assistindo a um jogo com amigos e gritei 'está impedido!'. Todos ficaram chocados por eu saber o que era impedimento", conta aos risos. "Vejo que ainda há um certo preconceito", complementa.
A flamenguista Melyne divide a mesma opinião de Aline. Segundo ela, o que mais incomoda é o fato dos homens acharem que mulheres não entendem do assunto. "Procuro não dar importância. Até porque ganho em quase todas as rodadas do cartola (jogo onde as pessoas montam times fictícios com jogadores reais e pontuam de acordo com o desempenho do atleta no Campeonato Brasileiro) do meu namorado, que é corintiano fanático", revela.

Imagem ilustrativa da imagem Fanáticas Esporte Clube
| Foto: Fotos: Gustavo Carneiro
"Tenho muitos ídolos por causa da Seleção", diz Kelly Bertassoni, de 26 anos, que é são-paulina desde criança, por influência do avô



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