Famílias apostam no diálogo
A consultora Ana Maria da Rocha Périgo sempre conversou com naturalidade com as filhas Julia, de 18 anos, e Clara, de 17, que atualmente residem em São Paulo. ''Sempre conversei muito com as meninas. Falamos sobre sexo e homossexualidade de forma natural. Claro que cada coisa ao seu tempo e sempre utilizando uma linguagem apropriada para a idade'', afirma.
Ela sempre procurou transmitir para as filhas que o preconceito é algo bobo e normalmente praticado por quem não conhece o assunto. Sobre sexo, desde cedo, tentou passar que é algo saudável e necessário, mas que existe o sexo bom e o ruim.
Desta forma, Julia e Clara aprenderam a conviver com as diferenças. ''Além de ver pela televisão e em locais públicos, tiveram contato com homossexuais e até hoje mantêm amizade com gays'', diz a mãe.
Ela garante que falar abertamente sobre essas questões não estimula a homossexualidade. ''Da forma como eduquei minhas filhas, elas poderiam ser homossexuais, mas não são. Não estou propondo permissividade, mas devemos sempre nos colocar no lugar do outro'', destaca.
Na casa da advogada Marta Ruiz e do marido, o médico Alfio Martinelli, o diálogo sempre foi bastante presente. Pais de Ana Paula, de 21, e Conrado, de 7, a família sempre procurou responder as questões com naturalidade. ''Sempre respondemos a todas as perguntas, mas não puxamos determinados assuntos e procuramos controlar o que Conrado assiste na televisão'', dizem.
Marta afirma que procuram conversar sobre tudo, mas sem abrir mão dos valores religiosos da família.''Somos cristãos. Falamos de tudo sem preconceito, até porque não sabemos do dia de amanhã. Porém, deixamos sempre claro o que achamos certo'', pontua.
Leitura
Nos últimos anos, diferentes obras literárias que tratam da homossexualidade foram lançadas e estão cada vez mais presentes nas livrarias. ''A procura por esse tipo de material é maior por parte dos educadores. Os pais ainda não procuram tanto'', diz a jornalista Denise Gentil, proprietária da loja Ciranda - música, literatura e brinquedos, em Londrina.
O que os pais vêm reclamando, segundo ela, é da separação nítida de brinquedos e livros voltados para meninos e meninas. ''Principalmente quem defende a liberdade e a igualdade acha que essa divisão não deveria acontecer de forma tão explícita'', comenta Denise, destacando que as coisas estão mudando e que tanto pais quanto educadores estão mais atentos para as questões ligadas à diversidade sexual. (P.C.B.)





