As várias correntes migratórias ocorridas no País nas últimas décadas incidiram diretamente na estrutura da família brasileira. Os estudiosos apontam que da fase patriarcal, o contexto familiar passou a ser nuclear - formado pelo pai, mãe e os filhos gerados pelo casal. Esta é chamada de família ideal, o modelo predominante atualmente. O médico psiquiatra de crianças e adolescentes José Ottoni Outeiral, que atua em Porto Alegre (RS), explica que a família denominada patriarcal era mais democrática em relação ao espaço físico.
O mesmo local abrigava avós, tios, pais e netos. Sem contar a infinidade de compadres, comadres e até a presença de alguns agregados. A relação com a vizinhança era mais próxima e duradoura. ‘‘Era um grupo familiar amplo. As ligações eram mais produtivas, o espaço físico mais próximo. As crianças eram cuidadas por várias pessoas’’, diz José Outeiral sobre o antigo contexto familiar brasileiro. Ele informa que a estruturação patriarcal era o grupo mais significativo na sociedade brasileira.
Cesar AugustoO psiquiatra de crianças e adolescentes José Ottoni Outeiral é também professor da faculdade de medicina da PUC-RS e foi conferencista no I Congresso de Adolescência do Cone Sul
O casal vive hoje longe do grupo de origem. Geralmente em busca de uma vida mais confortável e melhores condições de trabalho. As correntes migratórias do Nordeste para o Sul, do Sul para o Centro-Oeste contribuíram para o surgimento da família nuclear. O número de filhos diminuiu. Atualmente, segundo o IBGE, esse número gira em torno de 2,7 filhos por casal.
Outro fator que modificou a cara da família brasileira foi a inserção maciça da mulher nas atividades produtivas. Cerca de 30% das famílias são mantidas por mulheres. E mães chefes de família nem sempre conseguem cumprir o papel destinado ao pai. Diminuiu também o número de cuidadores dos filhos. As crianças estão entrando muito cedo para a escolinha ou recebem cuidados de pessoas contratadas.

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