Família e Cia
Família e Cia
Conciliar carreira profissional com os afazeres domésticos não é tarefa fácil. Quando os filhos entram na parada, a situação fica ainda mais complicada. Mas as mães atarefadas tiram de letra e garantem um tempo para sessões de carinho atençãoMãe coragem
Marcos Negrini
Iani Valério, a filha Solange e uma das crianças desnutridas de Maringá que elas adotaram através da APACSolange da Silva Gonçalves é uma dos cinco filhos biológicos de Iani Valério da Silva, 55 anos, coordenadora da Pastoral da Criança de Maringá. Minha mãe é uma mulher especial, é uma fera guerreira, diz Solange. Iani é mãe de 25 mil crianças da Pastoral, a quem se dedica voluntariamente há mais de 12 anos. Através da Associação dos Amigos da Pastoral da Criança (APAC), recolhe crianças pele-e-osso, casos graves de desnutrição. Ela cuida, dá amor e alimentos até que possam voltar para casa. Só em 97 foram quase 200 crianças recuperadas. Depois, acompanha a família, orienta sobre saúde, nutrição, alimentação alternativa, educa, até ter certeza de que já podem se nutrir sozinhas. Ouve problemas, encaminha para médicos, acompanha de perto, sofre junto. Quem tem consciência sofre mais porque sabe da dimensão do problema social. Ela nem tem tempo para chorar. Tem uma força espiritual absurda, diz a filha. Serena, Iani sempre tem ouvidos e uma palavra de esperança para mães que chegam com filhos de pouco mais de um quilo com 30 dias de vida. Ela toma nos braços e avisa: Vou salvar você, se Deus quiser. E até hoje, todas conseguiram.Tatame doce tatame
Marcelo Almeida
Não chego a ser uma fera, mas minha faixa preta impõe respeito, brinca Mônica Zangari, ao lado do marido, Júlio, e dos filhos Pedro Ivo, Beatriz e VictorTodos praticam judô em casa. A filosofia de ceder para poder vencer dá um pouco de equilíbrio para esta família que tem uma mãe superexigente e dedicada. Não chego a ser uma fera, mas minha faixa preta impõe respeito, brinca Mônica Zangari, professora de judô numa pré-escola de Curitiba.
Os três filhos - Pedro Ivo, 17 anos, Beatriz, 16, Victor, 7 -, e o marido, Júlio, também lutam judô. Os meninos nasceram num tatame, exagera. Talvez seja por isso que Mônica ainda tem que brigar para que arrumem suas camas de manhã, antes de saírem para a escola. Sou uma mãe meio chata, define. Todos os dias tenho que mandar arrumar as camas, lavar os quimonos. Acho que ser mãe é repetir as mesmas ordens todos os dias, reconhece.
Além do judô, a família se reúne nos fins-de-semana para tratar dos cavalos e cuidar do sítio em Piraquara. Nós vamos até o pasto, laçamos, encilhamos os animais e passeamos com eles, conta Mônica. A família está animada com o sítio e já tem uma criação de carneiros e uns boizinhos.Lazer democrático
Dorico da Silva
Yassara Gonçalves José com os filhos Felipe e IsadoraBrincando, Yassara Gonçalves José, de Londrina, diz que é preciso um cronômetro para administrar os negócios e a família. Quando o filho mais velho, Felipe, 11 anos, está chegando da escola para o almoço, já é hora de levar a caçula Isadora, 6 anos, para o colégio. Nem sempre eu consigo tempo para almoçar, diz Yassara, que trabalha o dia todo em seu bufê Sal Doce e Arte, mas não abre mão de acompanhar os filhos para a escola. No meio da tarde, tenho que sair correndo para levar o Felipe para as aulas de futsal e inglês, conta. Ela, que sempre trabalhou, lembra que quando morava em São Paulo e os filhos eram menores, optou por abrir uma escola. Era um berçário para crianças até 6 anos, para onde eu levava as crianças, quando elas ainda eram superdependentes. Para conciliar o trabalho com a educação dos filhos, Yassara diz que sempre conversou muito, e por isso eles colaboram com a agenda concorrida. A recompensa é o final de semana em família. Nós já combinamos: as crianças é que escolhem o que querem fazer nas sextas à noite. Nos sábados e domingos, eu e meu marido escolhemos, mas estamos sempre juntos, seja para uma pescaria, que elas adoram, ou um passeio, conta Yassara.





