A vida do casal Simone Oliveira O'Sullivan e Niall O'Sullivan mudou radicalmente em 2011, depois que o filho deles, Cillian, hoje com 9 anos, recebeu o diagnóstico de autismo de início tardio. Ela conta que até então o menino de quatro anos tinha se desenvolvido normalmente e em questão de meses perdeu a maioria das habilidades adquiridas - fala, interação social, habilidades cognitivas.

Simone diz que assim que começou a regredir o menino começou a "fugir" de casa e o mesmo ocorria em lugares públicos, como supermercados, shoppings ou parques. "Era impossível prever quando o Cillian ia 'escapar', o que tornava a situação muito estressante. Então, depois de correr desesperada pelos supermercados ou shopping centers, eu e meu marido começamos a pesquisar sobre os cães de serviço", conta ela, que é brasileira e vive no Condado de Dublin, na Irlanda.

Simone diz que só havia uma instituição com lista de espera aberta, chamada My Canine Companion, com sede no Condado de Cork, a três horas de Dublin. "A organização sem fins lucrativos tem um programa onde a família recebe um filhote e já começa a treinar em casa e em encontros de socialização com outros cães de assistência. Dessa forma é mais fácil e rápido treinar o animal e a criança já vai se habituando com ele, acompanhando seu crescimento. Recebemos o Jamie, um Labradoodle (resultado do cruzamento de Labrador e Poodle), com seis semanas. Todas as despesas com veterinário, alimentação e higiene ficam por conta da família", conta ela.

A organização sobrevive de doações financeiras das famílias e pede que as mesmas ajudem em eventos de arrecadação de fundos. Apenas duas organizações fazem o treinamento de cães de serviço e no momento estão com as listas de espera fechadas. O custo para qualificar um cão de serviço, segundo a My Canine Companion, é de 10 mil euros. "Para famílias que participam do "puppy programme" (que recebem o filhote ao invés do cão adulto já treinado), a organização espera arrecadação de 5 mil euros. Entre doações de familiares, amigos e eventos, nós arrecadamos 7 mil euros para a instituição."

Com um ano e meio Jamie voltou para Cork para receber o treinamento que durou seis meses. No final do treinamento, Simone foi com Cillian a Cork para treinar com o cão e se familiarizarem com os comandos. Ao fim do treinamento e já aprovado como cão de serviço, Jamie voltou para casa da família, que recebeu a visita dos treinadores para verificar o comportamento do cachorro e iniciarem o processo de prender a criança à guia.

"A questão de segurança física é a função mais importante para a nossa família. A guia do Jamie é presa ao Cillian através de um cinto. No meu dia a dia isso significa que eu posso ir ao supermercado comprar um pão sem me preocupar que o Cillian vai se perder ou ser atropelado, já que ele não tem consciência das regras do trânsito. O Cillian fala poucas palavras ou frases, mas recentemente respondeu 'Jamie', quando perguntado qual era o nome de seu cachorro. Os dois caminham várias vezes por semana e Cillian adora sentar ou deitar na cama de seu cachorro. Quando o Cillian começa a exibir comportamentos diferentes em frente de outras pessoas, eu não preciso explicar nada. Uma vez que o autismo é uma 'deficiência invisível', o animal já sinaliza que se trata de uma criança especial", finaliza. (E.G)

Imagem ilustrativa da imagem Família conta com ajuda de ‘Jamie’
| Foto: Foto: Arquivo Pessoal
Jamie, um Labradoodle (resultado do cruzamento de Labrador e Poodle), foi treinado para auxiliar na segurança física de criança com autismo
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