Família a mil por hora
A psicóloga Shirley Pasini, 50 anos, sempre foi conhecida na escola como a pestinha da turma. Não conseguia ficar parada para assistir às aulas, tinha dificuldade para acompanhar os outros alunos nas tarefas e estava sempre desligada. ''Até hoje carrego algumas mágoas desse tempo. É duro quando a pessoa tem um problema e passa a ser rotulada e discriminada pelos outros. Eu tinha a auto-estima muito baixa'', diz. Foi só depois de muito sofrimento e do nascimento do segundo filho que ela descobriu, através de leituras em livros de psicologia, que era hiperativa física e mental. ''O Fernando, meu filho, tinha os mesmos problemas que eu. Desde bebê ele era muito agitado, não dormia direito e nem ficava parado. Foi quando comecei a procurar formas de lidar com a hiperatividade'', conta.
Hoje ela trabalha com pintura e busca na leitura uma maneira de tentar encontrar o equilíbrio. ''Mas ainda sou muito desatenta. Meu marido diz que algum dia ou eu vou colocar fogo na casa ou inundá-la. Essa coisa de regras e ordem é complicada para o hiperativo. Já deixei de trabalhar por causa disso e, às vezes, sofro de depressão por causa da exaustão. Faço um monte de coisas ao mesmo tempo e meu cérebro não descansa nunca'', conta. O filho, Fernando Pasini, de 16 anos, não sofre tanto quanto a mãe e até vê o lado bom do distúrbio. ''Meus amigos se divertem comigo porque sou muito comunicativo e estou sempre brincando com todo mundo'', garante.
Mas ele não esconde os problemas que enfrenta por causa da hiperatividade. ''Todo começo de ano prometo para mim mesmo que vou ser mais organizado e prestar atenção na aula, mas não consigo fazer isso por mais de um mês. Acabo me desconcentrando e meu caderno é sempre uma bagunça. Para estudar matemática, por exemplo, preciso de companhia, caso contrário começo e daí a pouco estou rabiscando e pensando em outra coisa'', diz. Para superar os problemas, a mãe dá o conselho. ''Digo para ele que cada pessoa é diferente e tem seus problemas. Ele pode não ser bom em matemática, mas é muito criativo e tem um talento grande para a música. É isso o que conta'', completa. (H.F.)





