Celso Mattos
Comprar uma casa, um apartamento ou um terreno é muito diferente de entrar numa loja e comprar um eletrodoméstico. Para a maioria das pessoas, é um investimento para a vida toda. É o resultado de anos de economia, poupando dinheiro para a realização de um sonho. Portanto, é fundamental que a pessoa seja bem orientada antes de fechar o negócio. Além de observar o estado de conservação do imóvel, é preciso verificar a documentação e a idoneidade do vendedor. Caso contrário, o sonho pode virar um pesadelo.
O imobiliarista Raul Fugêncio, com 27 anos de experiência no ramo de imóveis, explica como deve ser a compra de um imóvel. ‘‘Primeiro, a pessoa deve decidir que tipo de imóvel ela deseja. Em seguida, é importante verificar a localização, avaliando se aquela região é um lugar de futuro, pois isso vai significar a valorização do bem adquirido. Existem pessoas que não se preocupam com esse detalhe, alegando que estão comprando o imóvel para a vida toda e não pretendem revendê-lo. Isso é um equívoco porque ninguém sabe o dia de amanh㒒, alerta o imobiliarista.
Ele orienta o comprador a se informar sobre o tempo de construção e quem construiu, solicitando, inclusive, os projetos hidráulicos e elétricos do imóvel. ‘‘Caso a pessoa tenha um problema nessa área, com os projetos em mãos ficará mais fácil resolvê-lo’’. Raul Fugêncio lembra que a construtora é responsável pelo imóvel durante cinco anos. ‘‘Por isso, é importante saber o tempo de construção’’, acrescenta.
O imobiliarista observa ainda que se a pessoa optar pela compra de um terreno para futura construção, além da questão da localização e documentação, é preciso avaliar a topografia. ‘‘Um terreno em declive é mais barato. Entretanto, essa economia pode representar um gasto de até 30% a mais na construção da casa. Ou seja, a pessoa economiza hoje, para gastar amanh㒒. Segundo Raul Fulgêncio, a pessoa deve avaliar também se vale a pena construir um sobrado ou uma casa de apenas um andar. ‘‘O sobrado fica em média 30% mais caro, mas na hora da venda seu valor de mercado é igual ao de uma casa térrea’’.
Ele explica que o valor de mercado é medido pelo metro quadrado. ‘‘Vamos usar como exemplo duas casas de 200 metros quadrados cada uma. Ambas ficam localizadas no mesmo bairro e têm padrão de qualidade igual, mesmo que uma delas seja um sobrado, seu valor de mercado não será superior ao da outra’’, informa.
Documentação Observados esses aspectos, o imobiliarista Raul Fulgêncio aconselha o comprador a ficar de olhos bem abertos em relação à documentação do imóvel. ‘‘Caso contrário, a dor de cabeça será grande, além de correr o risco de perder o imóvel. É preciso verificar se o vendedor não tem execuções fiscais, dívidas trabalhistas, se o imóvel não está hipotecado e, inclusive, se não é objeto de herança de filhos menores’’.
Ele orienta que para se prevenir, antes de fechar o negócio, o comprador deve retirar no cartório os seguintes documentos: certidões negativa de ônus reais e ações reais ou pessoais reipersecutórias, mais inteiro teor e registro de imóveis competente, certidão negativa municipal, certidão trabalhista, certidão da justiça federal, certidão do cartório distribuidor-Fórum-Civil e Criminal e certidão de Protesto (1,2 3). ‘‘Esses documentos vão dar a garantia de que não existem pendências que, no futuro, poderão implicar em ações jurídicas’’.
No caso de imóveis financiados, Raul Fulgêncio diz que o primeiro passo é procurar o agente financeiro e verificar o valor do débido e se há resíduo. ‘‘O resíduo é composto pelos juros que as prestações não quitaram. Isso pode elevar o valor da prestação depois da transferência do imóvel. Por esse motivo, é que existem tantos contratos de gaveta que, aliás, não dão nenhuma segurança ao comprador. A compra de um imóvel é um investimento grande, portanto, o ideal é fazer a coisa certa para evitar transtornos no futuro’’, orienta Raul Fulgêncio.Na hora de comprar um imóvel, é preciso muito cuidado para não transformar o sonho da casa própria num pesadelo
Divulgação‘‘Às vezes, a economia feita na compra do terreno pode representar um gasto maior na construção da casa’’, afirma o imobiliarista Raul Fulgêncio

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