Em meio à profusão de cursos extras dentro da própria escola, voltados para crianças e adolescentes, escolher a melhor atividade para matricular os filhos pode ser uma tarefa que gera dúvidas e expectativas.
Antes de fazer as contas para o ano de 2010, e definir o que será importante como investimento na formação dos filhos, é preciso parar para pensar sobre o que é prioridade e qual o significado que determinada atividade terá na vida da criança, defende a psicóloga e orientadora educacional Rosa Maria Cardoso, que atua no Colégio Universitário.
''Em um mundo competitivo, em que é preciso fazer muitas coisas para ser visto como competente, corre-se o risco de expor os alunos a muitas atividades. Primeiro é preciso perguntar qual o significado que a atividade terá na vida daquele jovem'', reflete a psicóloga.
As atividades extracurriculares têm, na opinião da especialista, um sentido pedagógico e cognitivo, auxiliam no desenvolvimento de habilidades e competências, assim como servem de empurrãozinho na hora de integrar a criança ou o jovem a um grupo. Os jogos, por exemplo, ensinam na prática regras básicas de convivência, como aprender a ganhar e perder, e ter consciência dos limites de cada um.
O importante na hora de programar os cursos extras é não perder o foco. ''Essas atividades não foram feitas para preencher o tempo. Por isso, é preciso conhecer a criança ou jovem e não impor o que deve ser feito. É importante que ele tenha participação nas escolhas'', sugere.
Para Rosa Maria, o excesso de afazeres pode gerar sobrecarga, e uma consequente perda de qualidade, desânimo e até mesmo apatia. Estabelecer prioridades é fundamental. ''Tem aluno que administra bem seu tempo, mas há outros que não conseguem fazê-lo''.
A dica é respeitar o ritmo de cada um, tentando organizar junto ao filho os horários dos compromissos, respeitando a faixa etária e o grau de afinidade. ''Na apresentação de um número de dança, por exemplo, é importante deixar a criança seguir o próprio ritmo e entender que ela não precisa ser perfeita'', explica a psicóloga.
No caso dos pequenos, a especialista lembra que os pais precisam reservar um tempo para que eles possam brincar. ''É muito importante a criança ter o momento para brincar, ter o espaço dela'', indica.
Fazer acontecer
Além do estudo regular do 2º ano do ensino médio no Colégio Universitário, Mariana Pego Moreira pratica pilates duas vezes por semana na escola, e participa do Junior Achievement, um programa em que os alunos vivenciam o cotidiano de uma empresa, aprendendo a administrar custos e mão de obra, a produzir mercadorias, elaborar estratégias de marketing e vender.
Da atividade que ensina a montar uma miniempresa participam apenas 30 alunos da 2 série do ensino médio. Há prova de seleção para fazer parte, e os alunos trabalham com o apoio de quatro consultores. ''Criamos uma bolsa com discos de vinil e tecidos, que foi vendida em feiras, colégios e eventos'', conta Mariana.
A empresa Ópera Bolsas Personalizadas ainda tem produtos para comercializar. O grupo criou um perfil e uma comunidade no site de relacionamentos Orkut para ajudar na divulgação das bolsas. ''Temos modelos diferentes, com alça curta, argola e velcro. A bolsa custa R$ 30'', diz Mariana a aluna.
O aprendizado, para a garota, foi importante pela experiência de entrar em contato com pessoas diferentes e a ideia de que é preciso 'fazer acontecer'. ''A gente aprende a se virar, a buscar patrocínio, entrar em contato com as pessoas para divulgar o trabalho'', revela.
Os alunos participaram de todas as etapas. ''Os discos de vinil foram doados. Depois furamos os discos e amarramos com barbante colorido na parte feita de tecido''.
Para obter o capital inicial, os alunos tiveram de vender ações. A renda conseguida com a empreitada foi o suficiente para pagar salário aos integrantes da empresa, aos acionistas e as taxas de impostos. Esta parte do dinheiro foi revertida à ONG Associação Mãos Estendidas (AME), que atua em Londrina no conjunto Novo Amparo.®MDNM¯
''A experiência ajudou a melhorar o relacionamento interpessoal e com certeza aprendi a administrar o dinheiro'', revela Mariana.

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