Preparar o primogênito desde o início da gestação do segundo filho é fundamental para que a perda do trono seja menos dolorosa. ''É importante que se converse antes com a criança, que ela acompanhe a gravidez, participe das compras. E que receba um extra nesse período para que se sinta importante e vá mudando de papel: agora ela será o filho mais velho, saberá mais que o irmãozinho, ajudará a cuidar dele'', orienta a psicóloga Fátima Comte.
Ela observa que, às vezes, os pais criam uma expectativa irreal para o filho, dizendo que o irmãozinho vai brincar com ele, que será o seu companheiro. Mas não falam que isso só vai acontecer daqui a uns cinco anos. Aí chega aquele bebezinho de quem nem se pode chegar perto''.
O processo de adaptação à nova realidade deve ser gradual. A psicóloga alerta que, se a criança tiver que passar por tudo de uma só vez, os riscos de trauma serão maiores. Um bom exemplo é o dos pais que, assim que o bebê nasce, mandam o filho mais velho para a escola, onde ele terá que se adaptar a um ambiente cheio de gente desconhecida. E, ao chegar em casa, encontra os pais cansados, a avó cuidando do irmãozinho, a empregada atarefada. ''Seria bom que as mudanças não viessem todas juntas, que fossem bem graduais e serenas'', aconselha. (R.V.) n

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