Lavar pratos impulsionou muitas horas de reflexão para a jornalista Cátia Moraes. Profissional da TV Manchete, ela descobriu o outro lado da história quando precisou se tornar dona de casa. Com bom humor e perspicácia, Cátia desvendou as dores e delícias da dupla jornada feminina, da mulher dedicada unicamente ao lar e à família no livro ‘‘Dona de Casa, a Profissão Invisível’’.
O livro revela a real importância da executiva do lar, que mudou muito neste final de século. A nova imagem das mulheres descrita pelas revistas, e que incidiu na elaboração do livro, certamente não inclui centenas delas queimando sutiãs. Atualmente, elas estão multifacetadas, descoladas, poderosas e antenadas com o mundo. No entanto, muitas donas de casa estão perdidas entre a sala e a cozinha, procurando algo esquecido pelo marido e filhos, são cricris e sabem falar somente de crianças e criados. Para outras, programa de qualidade total é sair para passear com a família.
A autora dividiu em duas classes as mulheres que se dedicam às prendas do lar. Elas estão nessa, por opção, imposição ou por necessidade. Mas a divisão básica se resume entre as donas de casa executivas e amadoras. As primeiras, possuem talento, competência e vocação para dirigir o lar. Fazem tudo sem lamentações, com eficiência.
A executiva do lar programa até videocassete, pois conhece bem aquela ‘‘joça’’ eletrônica. É a mãe-pra-toda-obra, que faz aquele almoço de Natal caprichadíssimo, em que a família acaba com calorias a mais e ela, exausta. Resumindo, a executiva encontra dificuldades para delegar serviço às outras pessoas e é até meio intrometida. Amélia, a mulher de verdade, era uma autêntica executiva do lar de décadas passadas.

mockup