Faisão, pato selvagem francês, capivara, javali, jacaré, avestruz e até mesmo canguru. Nunca o mercado das carnes pareceu tão tentador quanto agora, em que lojas e restaurantes especializados oferecem um verdadeiro banquete. Em São Paulo, o hábito de comer carnes exóticas ou de caça já é comum. Em Curitiba, ainda é um pouco restrito. Mas nada que impeça aos amantes de pratos excêntricos de enveredar por verdadeiras viagens gastronômicas.
‘‘A preocupação com a preservação da fauna, a raridade dos cativeiros... não dá para comer esse tipo de carne como se fosse uma carne qualquer’’, comenta o proprietário da Sabor & Paladar, Luiz Cláudio Ciccarino.‘‘Eu, por exemplo, quando como um javali, me sinto como se estivesse num jantar com o Asterix. Os vikings, aquela carne assada em espetos de pau, é como se fosse um cerimonial’’.
Um cerimonial que começa com a escolha do tipo e do pedaço da carne até o preparo, cheio de detalhes, e a degustação. Segundo os melhores gourmets, para se saborear um bom prato de caça, é preciso saber um pouco de alquimia. Só com ela é que será possível a combinação perfeita dos ingredientes. Entre eles, o sal, o vinho, as ervas e as frutas. ‘‘Também é bom não esquecer nunca do azeite de oliva’’, emenda Ciccarino. ‘‘O azeite e as frutas são praticamente indispensáveis em qualquer prato de carne. Por isso, nós que trabalhamos com o comércio deste tipo de produto, sempre oferecemos, além da carne, as receitas de como prepará-la. Não adianta a pessoa comprar um javali ou um cervo, e prepará-los como se fosse uma picanha. Não vai conseguir comê-los porque cada tipo de carne tem fibras e sabores bem específicos’’.
E aquele perigo de comprar gato por lebre existe mesmo? Segundo Ciccarino, existe sim. Mas nada que seja tão difícil de evitar. Basta que a pessoa procure sempre uma casa especializada no ramo. E vale aí um alerta. Todas as lojas que comercializam carnes de caça devem ter um registro especial do Ibama, permitindo essa venda.kraw Penas‘‘Não adianta a pessoa comprar um javali ou um cervo, e prepará-los como se fosse uma picanha’’, diz Luiz Cláudio CiccarinoVivian de Albuquerque

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